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CHARLES GWATHMEY (1938-2009)
10.08.2009
Charles Gwathmey faleceu no passado dia 3 de Agosto. Contava 71 anos.

Nascido em Charlotte (Nova Iorque) em 1938, Gwathmey estudou na Universidade da Pennsylvania e na de Yale, onde concluiu os seus estudos em 1962, tendo como professores, na primeira, Louis Kahn e Robert Venturi, e, na segunda, Paul Rudolph e James Stirling. Entre 1964 e 1966, foi professor no Instituto Pratt de Nova Iorque, prosseguindo a docência em algumas das mais prestigiadas universidades americanas, designadamente a Cooper Union, Princeton, Columbia, Texas, Califórnia, Yale e Harvard. Em 1966, abre escritório em Nova Iorque com Richard Henderson, aos quais se junta Robert Siegel em 1970. Com este último, forma a empresa Gwathmey Siegel & Associates de Nova Iorque.

Membro honorário do American Institute of Architects desde 1981, recebeu inúmeros prémios e distinções, entre as quais o Brunner Prize da American Academy of Arts and Letters em 1970 (sendo eleito para a Academia em 1976), a Medalha de Honra do American Institute of Architects em 1985, o Yale Alumni Arts Award da Yale School of Architecture em 1985, a Lifetime Achievement Medal in Visual Arts da Guild Hall Academy of Arts em 1988, assim como, em 1990, o Lifetime Achievement Award da New York State Society of Architects.

Com pouco mais de 30 anos, foi um dos protagonistas dos famosos New York Five (com Peter Eisenman, Michael Graves, John Hejduk e Richard Meyer), um grupo de jovens arquitectos nova-iorquinos reunidos numa polémica exposição organizada por Arthur Drexler no MoMA, em 1967, e sobre a qual se publicou posteriormente, em 1972, um célebre livro com o nome de Five Architects. Inspiravam-se no moderno heróico, muito em particular nas casas dos anos 20 de Le Corbusier.

A segunda obra de Gwathmey, a famosa Casa na Bluff Road em Amagansett (1965-67), no East End de Long Island, encomendada pelos seus pais, os artistas Robert e Rosalie Gwathmey, é uma das origens desta exposição. Projectou-a com 28 anos, logo após a sua estada em França com uma Bolsa Fullbright, onde estudou o sistema de proporções que Le Corbusier havia usado nos seus edifícios. Foi este o sistema que aplicou e reinterpretou na pequena casa, de modo tão radical que nenhum dos construtores da região a quis construir. Gwathmey encontra então uma empresa de Brooklyn disposta a fazê-lo e abandona o seu emprego, participando in loco na construção da casa, que custou apenas $35 000.
Philip Johnson, na altura o curador de arquitectura do MoMA, ficou entusiasmado com a obra - diria que era a mais importante da década - e ajudou à sua publicação e divulgação. A Casa em Amagansett abriu assim caminho para a exposição New York Five e tornou-se emblemática de uma nova arquitectura despida até à sua essência formal, mas ambígua entre a simultânea complexidade escultórica e algum sabor vernacular (a estrutura e revestimentos são de madeira).

Apesar de um vastíssimo conjunto de obras construídas, incluindo a ampliação do Museu Guggenheim de Nova Iorque em 1992, ou o restauro e ampliação do Edifício de Arte e Arquitectura de Yale de Paul Rudolph em 2008, o contributo de Gwathmey para a arquitectura do século XX ficará para sempre ligado à Casa em Amagansett e a outras da mesma época, desde a Casa Cooper em Orleans (MA, 1968) até à Casa Cogan em East Hampton (NY, 1971-72).

Com o tempo, a prometedora arquitectura de Gwathmey não resistiu aos efeitos da crescente encomenda corporativa. Porém, os seus edifícios e, em particular, os seus apartamentos e casas sempre simbolizaram refinamento e sofisticação. Aliás, muitos foram os seus clientes do show-bizz norte-americano, entre os quais Faye Dunaway, David Geffen, Steven Spielberg, Jerry Seinfeld, Jeffrey Katzenberg, Ron Meyer, Frank Marshall ou Kathleen Kennedy.
De algum modo, Charles Gwathmey não quis, não pode ou não soube continuar a sua prometedora radicalidade inicial e permaneceu "apenas" como um importante arquitecto norte-americano e, sobretudo, nova-iorquino. Talvez não importe. Acima de tudo, o seu exercício profissional resultou sempre em edifícios reconhecíveis como seus, impecavelmente desenhados e delicadamente executados, insistentes no seu tema intemporal: a luta entre a paixão pela modernidade heróica e o desejo de continuar a fazer edifícios novos e distintos.

Para mais informações, consultar www.gwathmey-siegel.com.

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