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6 Outubro . Prémio Fernando Távora
02.10.2009
O Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Dr. Guilherme Pinto, e a Presidente da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, Arquitecta Teresa Novais, têm o prazer de convidar V. Ex.a para a Conferência “Diário do Deserto - Namibe 2009” da Arquitecta Maria Cristina Salvador, premiada da 4.a edição do Prémio Fernando Távora.

A Conferência terá lugar no dia 6 de Outubro, 3.a feira, pelas 22h00, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos, momento em que será também realizado o Lançamento Público da 5.a Edição do Prémio.



Maria Cristina Pinto da França Salvador
Diário do Deserto – Namibe 2009

Cristina Salvador, nascida em 1947, propõe-se a visitar os espaços do Deserto do Namibe, partindo de Luanda até à cidade de Namibe e daí por estrada até ao Tombwa. Perto, em Njambasana, fica a sede do CE.DO – Centro de Estudos do Deserto, que será a “base” da viagem.

“O espaço do Deserto do Namibe, as fronteiras entre o Deserto e os assentamentos, entre o Deserto e o Mar, a travessia, o encontro e as trocas entre comerciantes e pastores e, por outro lado, o encontro e a troca de pesquisas antropológicas, económicas e espaciais, possíveis através do CE.DO, levam-me a fazer a mala e meter-me ao caminho. Na preparação da viagem pensei em Nietzsche e na forma como remete o tema do Deserto para o vazio, para o desconhecido, no vazio de que temos uma poderosa necessidade de “encher” com a nossa própria presença, de o dominar. Pensei também no simbolismo do Deserto e nos mitos com ele relacionados, tais como o Burro (ou Camelo) – animais do Deserto (também eles niilistas?). Carregam, carregam com fardos até ao fim do deserto.”
Excertos da proposta de viagem

O Júri congratulou-se com a qualidade da maior parte das propostas concorrentes e reconheceu que o trabalho premiado se distingue por corresponder da melhor maneira aos objectivos do Prémio e à própria ideia de viagem defendida por Fernando Távora, especialmente no que respeita à “extraordinária capacidade de investigar sobre o sentido das coisas, as suas raízes, a grande curiosidade pelo outro, ancorada numa forte ligação ao seu contexto de origem, na defesa da dignidade do homem, e respeitador das suas diferenças”; pela qualidade da sua escrita, marcada pela clareza e pela síntese e pela originalidade da proposta – “analisar a forma como os pequenos comerciantes, atravessando regularmente o deserto com os seus burros e carregamentos em busca de pastores, são os primeiros organizadores do território e saber quais são as questões que essa organização levanta”, “aí onde a intervenção do homem são indícios, marcas, traços e encontros sazonais, tendo por base o que aparentemente parece ser uma actividade económica reduzida mas regular e reguladora, mais do que em cidades e periferias, onde na maior parte dos casos o essencial está fragmentado, disperso ou fortemente condicionado”.

Quer pela qualidade, quer pelos objectivos, a proposta de Maria Cristina Pinto da França Salvador honra a obra de Fernando Távora.

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