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Proposta de atribuição do título de membro honorário ao arquitecto Álvaro Siza Vieira
07.10.2009
O Presidente da Conselho Directivo Nacional, ao abrigo do artigo 7º do capítulo II do Estatuto da OA, bem como do artigo 3º do Estatuto de Membro Extraordinário da OA, vem deste modo propor que a Ordem dos Arquitectos atribua o Estatuto de Membro Honorário ao Arquitecto Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira, com base na seguinte justificação:

1.
Álvaro Siza (Matosinhos, 1933) é o mais destacado arquitecto português contemporâneo e, muito possivelmente, o mais importante arquitecto português de todos os tempos. Nenhum outro alcançou a sua relevância nacional e internacional. E poucas são as figuras da cultura portuguesa com idêntica notoriedade mundial.

2.
Esta notoriedade é fruto de um percurso profissional longo, árduo, afortunado e admiravelmente equilibrado, cuja origem remonta à formação na Escola Superior de Belas Artes do Porto e à colaboração com mestre Fernando Távora.
A maturidade precoce de muitas das suas obras iniciais, entre forte contextualização e poética delicadeza, revela-se nas seguintes em crescente vigor físico, por vezes dramático, costuradas por uma excepcional cultura arquitectónica e inseparáveis de um saber peculiar a cada problema.
Poucos demonstram, em cada projecto e em cada obra, tanta concentração e tanta capacidade de observação e caracterização, conjugando o que é distinto em coisa una e o que é uno em coisa distinta. Aliás, como bem afirma, "os arquitectos não inventam nada, transformam a realidade".
Obra após obra, Siza mantém a invulgar capacidade de produzir autenticidade e de, em simultâneo, surpreender o status quo cultural com o inesperado. E esta é a razão fundamental da sua exemplaridade, legando-nos uma arquitectura liberta de qualquer recurso alheio a ela mesma.
Algumas das suas obras reconhecem-se como pioneiras da arquitectura portuguesa contemporânea, como a Casa de Chá da Boa Nova (1958-1963) ou as Piscinas de Marés em Leça da Palmeira (1961-1966). Outras permanecerão como símbolos de participação social, como o Bairro Social da Bouça/SAAL (Porto, 1975-1977) ou o Bairro da Malagueira (Évora, 1977-1995). Outras, também, como exemplo da construção de cidade, como o Edifício Bonjour Tristesse (Berlim, 1980-1984), o Conjunto de Schilderwijk (Haia, 1983-1988) ou o Plano de Reconstrução do Chiado (Lisboa, 1988). Outras, ainda, como paradigmas da cultura e da formação, como a Escola Superior de Educação de Setúbal (1986-1994), o Centro de Arte Contemporânea de Santiago de Compostela (Espanha, 1988-1993), a Faculdade de Arquitectura do Porto (1986-1996) ou o Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves (Porto, 1991-1999). E muitas, sobretudo as últimas, revelam quanto a maturidade pode ser sinónimo de liberdade, de inquietude e de inovação, como o Pavilhão de Portugal (Lisboa, 1995-1998), o Pavilhão Anyang (Coreia do Sul, 2006), o Complexo Desportivo em Cornellà de Llobregat (Barcelona/Espanha, 2006), ou o Museu Iberê Camargo (Porto Alegre/Brasil, 1998-2007).

3.
A par do desempenho profissional, Álvaro Siza lecciona na Escola Superior de Belas-Artes do Porto entre 1966 e 1969. Regressa à escola, em 1976, como professor de construções.
A docência permite-lhe, porventura, a reflexão disciplinar sobre a condição física da arquitectura, omnipresente nas suas obras. Porém, esta reflexão inscreve-se num âmbito crítico mais alargado, seja impresso nos seus próprios projectos e obras, seja nas inúmeras entrevistas e ensaios ao longo dos anos, gerando uma teoria muito pessoal da arquitectura.
Também por isso, são inúmeros convites como professor convidado, desde a Escola Politécnica de Lausanne até à Graduate School of Design em Harvard, como inúmeras são as conferências por todo o mundo, desde o Estados Unidos, Brasil, Colômbia ou Argentina, passando pela vizinha Espanha, Alemanha, França, Países Nórdicos, Holanda, Suiça ou Reino Unido, até ao Japão e Coreia do Sul.
Este global reconhecimento reflecte-se na atribuição do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Politécnica de Valencia (Espanha, 1992), pela Escola Politécnica Federal de Lausanne (Suiça, 1993), pela Universidade de Palermo (Itália, 1995), pela Universidade Menendez Pelayo de Santander (Espanha, 1995), pela Universidad Nacional de Ingeniería de Lima (Perú, 1995), pela Universidade de Coimbra (1997), pela Universidade Lusíada (1999), pela Universidade Federal de Paraíba em João Pessoa (Brasil, 2000); pela Università degli Studi di Napoli Federico II, Polo delle Scienze e delle Tecnologie (Itália, 2004) ou pela Universidade de Arquitectura e Urbanismo de Bucareste Ion Mincu (Roménia, 2005).
4.
Após os anos 70, a obra de Álvaro Siza é imparável na divulgação e celebração internacionais, implicando um conjunto crescente de convites para concursos internacionais de arquitectura (Berlim, Veneza, Salzburg ou Madrid), muitos dos quais premiados e construídos, bem como uma carteira diversificada de encomendas por todo o mundo.
Dada a periférica contingência portuguesa, a obra de Siza cresce e floresce de forma inesperada para muitos, mas aguardada por muitos outros, em face do valor intrínseco, persistente e inigualável do seu saber e fazer.
Seria impossível nomear todas as edições entretanto publicadas sobre a sua obra e todos os números que lhe são dedicados nas mais importantes revistas de arquitectura mundiais. Difícil, também, é enumerar todos as distinções já atribuídas, mas destacam-se o Prémio Mies van der Rohe/União Europeia (1988), a Medalha de Ouro do Colégio de Arquitectos de Madrid (1988), a Medalha de Ouro da Fundação Alvar Aalto (Finlândia, 1988), o Prémio Prince of Wales da Universidade de Harvard (EUA, 1988), o Prémio Secil (1996, 2000 e 2006), o Prémio Arnold W. Brunner Memorial da American Academy of Arts and Letters (EUA, 1998), o Praemium Imperiale em Arquitectura (Japão,1998), o Wolf Prize in Arts (Israel, 2001), o Leão de Ouro da VIII Bienal de Veneza (Itália, 2002), o Grande Prémio de Urbanismo de França (2005), bem como o mais importante Prémio internacional de arquitectura, o Pritzker (1992).
É, também, membro da American Academy of Arts and Science e Honorary Fellow do Royal Institute of British Architects, do AIA/American Institute of Architects, da Académie d'Architecture de France e da European Academy of Sciences and Arts.
Em 1999, recebe a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, atribuída pela Presidência da República Portuguesa e, já em 2009, recebe a Medalha de Ouro do Royal Institute of British Architects, entregue pela Rainha Isabel II.


Álvaro Siza Vieira é uma das referências mais marcantes da Arquitectura e da Cultura contemporâneas. Por ser assim, justifica-se plenamente que lhe seja atribuído o Estatuto de Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos, assinalando e honrando o contributo extraordinário deste notável autor para a afirmação e dignificação da Arquitectura e da Profissão de Arquitecto em Portugal e no Mundo.

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