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Arquitecto Nuno Teotónio Pereira recebeu Medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro
28.04.2010
No passado dia 27 de Abril, em cerimónia que decorreu nos Paços do Concelho de Lisboa e que contou com o apoio da Ordem dos Arquitectos, o Arqº Nuno Teotónio Pereira recebeu das mãos do Presidente da Câmara, Dr. António Costa, a Medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro.
A cerimónia contou com intervenções do Presidente da Câmara, do Homenageado e do Presidente da OA, que abaixo se transcreve:

Exmº Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
Exmºs Senhores Vereadores da Câmara Municipal de Lisboa,
Digníssimas Individualidades e distintos convidados presentes,
Caras Arquitectas e caros Arquitectos,
Minhas Senhoras e meus Senhores,

É em alturas como esta que mais gostaria de ter o dom da palavra. Ou de fazer - como diz quem percebe - o discurso da minha vida, ainda que as palavras escasseiem diante de tanta emoção, pois o momento não é para menos.

Encontramo-nos aqui para uma justa homenagem a Nuno Teotónio Pereira.
Falo de um dos mais paradigmáticos arquitectos portugueses desde o final dos anos 40, cuja vasta obra é indissociável da própria história da nossa arquitectura, entre tantos edifícios que iluminam o nosso fazer.
Falo, também, de uma das mais destacadas personalidades da arquitectura portuguesa, desde o tempo em que, ainda estudante, se insurgia contra a falta de autenticidade na criação arquitectónica ou quando se aventurava a publicar, logo em 1944, a primeira tradução da famosa Carta de Atenas. Ou ainda, quando, no mítico Congresso Nacional de Arquitectura de 1948, fazia uma comunicação sobre a Habitação Económica e Reajustamento Social, protagonizando o indispensável compromisso da arquitectura e dos arquitectos com os seus concidadãos. Desde então, esta sua dimensão cívica foi sempre imparável, na primeira linha do combate por melhor ordenamento do território, por melhores cidades e por melhores condições para o habitar colectivo, designadamente nesta sua cidade de Lisboa.
Falo, ainda, no importantíssimo papel que desempenhou nas sucessivas associações profissionais de arquitectos, também na primeira linha do combate por melhores condições para o exercício profissional dos arquitectos em Portugal, sempre, sempre presente em todos os momentos cruciais da nossa vida associativa e colectiva.
Falo, por fim e (talvez) sobretudo, da pessoa. Desta pessoa que voluntaria e deliberadamente associa o Eu com o Nós, tantas vezes tão inconformado quanto generoso em constantes exemplos cívicos e de cidadania, nessa sua postura sistemática e exemplar de querer servir e de querer fazer melhor, na incansável procura por uma sociedade mais justa, mais digna e mais humana, em que todos nascem livres e iguais. Discernindo combates e compromissos. Assumindo todos os riscos, todos os erros, todas as virtudes. Entregando-se às causas públicas sem nada esperar em troca. E estendendo a mão, nos piores e melhores momentos, a amigos e adversários.
É este o Homem que sabe ser Humano. É este o homem que aqui, hoje, homenageamos, neste mesmo dia em que, há 36 anos, em plena madrugada, era liberto da Prisão de Caxias pelo 25 de Abril.

Exmº Senhor Arquitecto Nuno Teotónio Pereira,
Querido Amigo,

Muito, muito Obrigado.
Permita-me dizer-lhe que é para mim uma imensa honra representar a Ordem dos Arquitectos nesta cerimónia em que lhe será atribuída a Medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro, da Cidade de Lisboa. E permita-me pedir-lhe, parafraseando Sophia, que continue a ajudar-nos a reconstruir o mundo, saciando a nossa fome do terrestre, e construindo a forma justa de uma cidade humana que seja fiel à perfeição do universo.
Uma vez mais, muito Obrigado.

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