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Sophia Silveira Pereira
Agradecimento
19.10.2010
O título de Membro Honorário da Ordem foi outorgado a Alexandre Alves Costa, no dia 8 de Outubro, "cem anos depois da implantação da República e do nascimento do meu Pai".
Confesso-vos, queridos companheiros, que não esperava receber esta distinção, destinada aos que prestaram relevantes serviços na defesa da dignidade do arquitecto e do exercício disciplinar da arquitectura

Não se pode dizer que não fiquei satisfeito e honrado: sobretudo pela companhia dos que aqui me precederam e dos que me acompanham hoje. Por isso agradeço muito ao Conselho Nacional da Ordem dos Arquitectos.

Tenho a convicção de que o nosso papel, como arquitectos e docentes universitários, é fazer boa arquitectura e ser bom professor. Por isso me parece, antes de mais, que esta imerecida distinção, se destina a compensar uma actividade normal (se é que a nossa arquitectura e a minha docência têm, de facto, algumas qualidades…). Reconheço, embora, a minha paixão pelo meu país e pela sua arquitectura e o meu empenho no desenho de um projecto de futuro para ambos, o que, em si próprios, não garantem nenhuma qualidade especial que não seja a simples verificação de uma já longa carreira, que tentei fosse pautada pela ética e pelo rigor, sempre com o objectivo primeiro de servir a comunidade e da construção da cidadania.

Ultrapassando as considerações de circunstância apetece-me salientar que, seguindo outros, participei na elaboração de algum pensamento sobre a arquitectura portuguesa, sedimentado, no meu caso, de forma mais empírica do que científica, lendo, projectando e viajando.
Antes de mais e, talvez, tão só, na revisão da historiografia portuguesa tradicional que vacilou, sempre, entre a consideração de que em Portugal se faz tão bem ou melhor do que na Europa e o desgosto de não encontrar valores marcantes na nossa produção. Indesculpavelmente, passou, assim, ao lado da constatação dos sinais iniludíveis da nossa identidade e, por isso, não lhe buscou razões nem métodos próprios. Não foi capaz de descobrir a sensibilidade e a erudição com que os arquitectos souberam responder às solicitações de uma sociedade permanentemente conturbada, com dificuldades de encontro consigo própria, dividida entre a necessidade permanente de firmar a independência nacional e a vontade de não se alhear dos grandes movimentos internacionais.

Nem a poesia conseguiu, no entanto, o desejável equilíbrio que a arquitectura e só a arquitectura encontrou, em Portugal. Talvez porque a poesia tivesse tentado o que a arquitectura nunca tentou: transformar o mundo ou, no mínimo, retratá-lo, a partir dos mais autênticos e profundos desejos do homem universal.
A arquitectura respondeu ao real, a partir dos dados do real. Os arquitectos, com arreigado sentido de serviço, foram/são eficazes e dóceis; tiveram, além disso, um profundo conhecimento da arte de construir e tentaram, sempre, transformar o útil consensual, em belo e, por aí, ultrapassar os limites da utilidade. Não sei se continua a ser assim, entre os mais qualificados da nossa disciplina, que não os que me acompanham hoje.
Sinto, com algum desassossego, que terei de continuar a peregrinar pela nossa terra, se intentar actualizar a referida matriz de leitura crítica!

Gostaria de salientar, seja qual for a justeza desta atribuição (e penso em tantos outros dela merecedores) que nada ou quase nada teria sido possível sem os amigos, os mestres, os colegas, os alunos e os colaboradores que ao longo da vida me ajudaram a construir o que sou. Salientarei, desvanecidamente, sem nenhum prejuízo para outros, o Arquitecto Fernando Távora, meu Mestre da vida, o Álvaro Siza que me ensinou o paciente método para a construção do rigor, e o Sergio Fernandez com quem partilho e espero continuar a partilhar toda a minha obra. As minhas filhas, evidentemente, por me aturarem!

Em 8 de Outubro de 2010, cem anos depois da implantação da Republica e do nascimento do meu Pai, muito obrigado.

Alexandre Alves Costa

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