outras notícias
Francisco Castro Rodrigues . Catedral de Sumbe
© Cristina Salvador (2005)
Francisco Castro Rodrigues . Catedral de Sumbe
© Cristina Salvador (2005)
Francisco Castro Rodrigues . Cine-Espanada Flamingo, Lobito
© Cristina Salvador (2005)
Francisco Castro Rodrigues . Liceu do Lobito
© Cristina Salvador (2005)
Admissão de sócio do Sindicato Nacional dos Arquitectos, 23 Novembro 1951
Prémio SP-AICA 2010 Arquitectura distingue arquitecto do “Lubito”
23.03.2011
O arquitecto Francisco Castro Rodrigues - membro da Ordem n.º 58 - foi premiado pelo seu trabalho, o qual o júri considera ser “de grande relevância cultural na cena portuguesa, ainda que pouco conhecido das gerações recentes, já que a maior parte da sua obra construída se localiza em Angola, no Lobito, cidade à qual imprimiu um forte carácter urbano a partir dos anos de 1950”.
Depois da independência de Angola, Francisco Castro Rodrigues colaborou na reconstrução do novo país, nomeadamente na organização do seu Curso de Arquitectura, tendo regressado a Portugal, às Azenhas do Mar, onde vive deste então, em 1989.



A artista plástica Lourdes Castro, nascida no Funchal em 1930, foi distinguida pela sua obra, na qual o júri destacou a exposição de 2010 “À luz da sombra”, no Museu de Serralves.

“A exposição constituiu um expoente significativo da forma simples e autêntica com que Lourdes Castro transfigura os gestos do quotidiano”, pode-se ler no comunicado emitido pela AICA.

O Prémio AICA/Ministério da Cultura (Artes Visuais e Arquitectura) é atribuído anualmente a duas personalidades das respectivas áreas, cujo percurso profissional seja considerado relevante pela crítica.
O júri deste ano contou com Manuel Graça Dias, Presidente da SP/AICA, Leonor Nazaré, vice-presidente da SP/AICA, e os críticos Ana Vaz Milheiro (arquitectura), e Lúcia Marques e Paulo Pires do Vale (artes visuais).
adaptado do Público digital, Cultura, 23.03.2010


A obra do arquitecto Castro Rodrigues
Em meados do século XX, os colonialismos africanos – e em especial o colonialismo português – são alvo de cada vez maiores pressões ao nível internacional. Neste contexto, a estratégia desenvolvida e posta em prática por Portugal em Angola incluiu o investimento nas colónias, quer a nível da melhoria das infraestruturas quer ao nível da imagem de um colonialismo modernizador e vanguardista. A tradução desta estratégia, ao nível arquitectónico, passou pela planificação urbana e pela edificação moderna e de vanguarda – esta última extremamente reprimida na metrópole pelo regime de Salazar que apostava numa visão tradicionalista e revivalista – tentando assim disseminar a imagem de uma colónia que pretendia desenvolver e melhorar as condições de vida das populações em Angola. Em todo o caso, alguns arquitectos que trabalhavam para o regime como foi o caso de FCR puderam aproveitar a sua localização fora da metrópole para contestar com a sua obra a visão colonial. A análise da obra de FCR principal arquitecto da cidade do Lobito – onde se situava o maior porto angolano, quer em termos de dimensão quer das trocas comerciais aí realizadas – permite a constatação do nível do investimento realizado pela colónia e também o conflito existente com a administração colonial. Um dos testemunhos deste conflito é a planificação da cidade de forma que contrariava a divisão espacial/racial prevista pelo estado colonial e o novo plano do Lobito do final dos anos 60, baseado nos conceitos do urbanismo moderno da “Carta de Atenas”.

Durante (mais de) trinta anos FCR ofereceu o seu saber e as suas convicções, experimentados no terreno, à colónia portuguesa e mais tarde à jovem República Popular de Angola. A condição política do território em nada alterou o seu modo de projectar, a atenção e o empenhamento que investiu em todos os trabalhos que conduziu, apoiado num princípio simples, “temos uma realidade objectiva local que temos de melhorar e daí é que vamos partir para o futuro”, e em ideias políticas vigorosas sobre o sentido das melhorias que deviam ser encontradas.

Do extraordinário percurso de Castro Rodrigues em Angola, construtor de cidade e de arquitecturas notáveis no Lobito, podemos destacar:

* Bloco de habitação prédio do Sol (1952) “…de intensa modernidade” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Jardim Infantil João de Deus (1955);
* Cine-Esplanada Flamingo no Lobito (1963) “com uma elegante pala em betão, tensionada por cabos” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Mercado municipal do Lobito (1963) “de delicada escala e desenho” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91)
* Aerogare do Lobito (1964) “um volume transparente com extensos planos de grelhagem para ventilação” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Liceu do Lobito (1966);
* Auto silo da casa Americana (1970);
* Bairro municipal de autoconstrução do Alto do Liro 7 500 fogos (1970-1973) “inovador…percursor do que se fez em Portugal com o SAAL” (J. M. Fernandes, 2005, p. 91);
* Catedral de Sumbe ex-Novo Redondo (1972?)
* Liceu do Sumbe (1972-73);
* Paços do Concelho no Sumbe (?)
* Plano Director do Lobito aprovado em 1975 pelo governo da República de Angola .

Como tem sido destacado por J. M. Fernandes,
“Por um lado, o seu trabalho longo e contínuo no Lobito (depois de 75 parcialmente em Luanda) entre 1953 e 1987; por outro, a sua participação, decisiva e simultânea, nos planos municipal, urbanístico, infraestrutural e arquitectónico – tornaram Castro Rodrigues num verdadeiro “fazedor da cidade moderna” em relação ao Lobito.”
(Fernandes, J. M. – Arquitectura e Urbanismo na África Portuguesa. Lisboa: Caleidoscópio, 2005, p. 89)

O mesmo respeito que FCR mantinha pelas populações promovendo tanto quanto possível a auto-construção, o uso de materiais e técnicas locais, “aprendemos realmente, com as razões que o povo nos apresentou, a construir melhor”, e a participação, “a certa altura fazia-se o chamamento da população para discutir certos pontos do Plano Director, para falar”.
“A propósito das aldeias, comunais ou não” é o título de um trabalho que desenvolve para Agostinho Neto (198?) e um tema recorrente sobre o qual trabalha e que conclui com o exemplo dos processos experimentados no Alto do Liro.
Em 1979 integrou a Direcção Nacional de Edificações de Angola e mais tarde, até 1984, o Gabinete Regional de Urbanização de Benguela.
Em 1982 concluiu o estudo “História do Lubito e da Catumbela”.

FCR fixou-se em Portugal em 1987 e voltou a Angola (em 1993) para a assembleia popular lhe entregar um diploma como trabalhador de mérito.

Cristina Salvador e Cristina Meneses


Castro Rodrigues, O Arquitecto do Lobito in JA #234 – Ser populista, por Ana Vaz Milheiro

Ler notícia no site Buala cultura contemporânea africana, por Cristina Salvador

Documentos

Subscrever E-Newsletter



 

BA

JA

mais

 

Encontre um Arquitecto
OA
OASRN OASRS HABITAR PORTUGAL IAP20 OAPIX CONHECER 1(-)1 13 CONGRESSO DOS ARQUITECTOS PORTAL DOS ARQUITECTOS
CAE CIALP DoCoMoMo FEPA UIA
CUPÃO UNIVERSAL