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Modernismo de Macau representado no Congresso da UIA, em Tóquio
28.09.2011
A capital japonesa recebe até ao próximo sábado o congresso anual da União Internacional dos Arquitectos. As obras de Chorão Ramalho, Manuel Vicente e José Maneiras são apresentadas no evento.


By Maria Caetano

Os edifícios projectados para Macau por Raul Chorão Ramalho, José Maneiras e Manuel Vicente, entre outros, são divulgados em Tóquio até ao final desta semana no âmbito do congresso anual da União Internacional dos Arquitectos (UIA), que decorre este ano na capital japonesa.

A documentação sobre as obras é levada ao evento pelo Conselho Internacional de Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP), sob coordenação da Associação dos Arquitectos de Macau (AAM), que apresenta um expositor com o tema “Modernismo na Lusofonia: Arquitectura dos Anos 40-50-60”.

São dez as estruturas do território escolhidas para representar “transversalmente um sector da história da arquitectura recente em todos os territórios lusófonos”, destaca Rui Leão, da AAM, que vai também proferir uma comunicação relativa a “casos-estudo de recuperação do património em Macau” no congresso.

A mostra é a primeira que o CIALP realiza de forma integrada, incluindo os nove institutos membros que compõem o conselho. O tema do expositor foi lançado por Macau em 2009, no Brasil, durante a realização de um encontro do conselho da arquitectura lusófona, e, explica Leão, “prende-se com o facto de corresponder a um momento em que em todos estes territórios começou a haver um novo tipo de necessidades urbanas”.

As três décadas representadas corresponderam a período de investimento “que espoletou uma nova escala e linguagem” na arquitectura das cidades dos países e territórios de língua portuguesa, ao mesmo tempo que “uma nova geração de arquitectos” se mostrava “muito imbuída das novas doutrinas e ideologias que carregava o Modernismo”.


Arquitectura original

A influência partiu, essencialmente, do Brasil, país fundador de uma arquitectura tropical que teve influência em Portugal, e nos então territórios coloniais portugueses em África – Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique – e na Ásia – Índia, Macau e Timor.

“É neste perspectiva histórica que se evoca a presença de uma ‘lusofonia’ na arquitectura realizada entre as décadas de 1940 e 1970. É uma arquitectura de filiação moderna e internacional que recorre progressivamente aos novos materiais e tecnologias construtivas e assume uma linguagem abstracta”, destaca a nota introdutória ao expositor da CIALP, da autoria da arquitecta Ana Vaz Milheiro.

O percurso historiográfico em que se inserem, mais tarde, as obras de Chorão Ramalho, Vicente ou Maneiras, arranca com as criações originais de uma arquitectura moderna brasileira – de Óscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carmen Portinho, João Vilanova Artigas e João Filgueiras, entre outros autores – que, após a II Guerra Mundial, vai influenciar os arquitectos portugueses “que então viviam sob um regime político ditatorial e que se sentiam muitas vezes constrangidos ao uso de linguagens historicistas”, nota Vaz Milheiro.

O “ideário” da arquitectura moderna brasileira foi perseguido, em Portugal, através da integração de expressões populares. A nova linguagem foi utilizada por autores como Fernando Távora, na década de 1950, e influenciou outros jovens profissionais, como Álvaro Siza Vieira – que recebe este ano a medalha de ouro da UIA, sendo considerado pela organização como “o arquitecto” do último quartel do século XX.

A adopção do estilo internacional prosseguiu em Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor. “Em Macau, a proximidade com a China e principalmente Hong Kong não inibiu os arquitectos locais ou fixados localmente de produzirem uma arquitectura original que surgiu nas obras iniciais de Manuel Vicente ou José Maneiras, entre outros, introduzindo práticas que seriam reproduzidas por outros profissionais”, relata a nota de introdução à mostra da CIALP.

Além da presença no espaço de exibição, a organização – e a AAM com ela – toma também parte em “três dias intensos”, que incluem várias exposições, dezenas de apresentações e a atribuição dos prémios da UIA.


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