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Palavra de Ordem
13.12.2011
O ano de 2011 foi generoso para a afirmação da arquitectura portuguesa, desde logo pelo Prémio Pritzker de Eduardo Souto de Moura e pela Medalha de Ouro da UIA de Álvaro Siza. Porém, este ano não deixará boas recordações à generalidade dos arquitectos portugueses, e tudo leva a crer que 2012 será também particularmente agreste.

Por um lado, a interrupção do investimento público e a carência de investimento privado na construção, em parte associado à dificuldade de acesso a financiamento, tem restringido a encomenda de arquitectura e as oportunidades de trabalho como não há memória, com consequências dramáticas em termos de emprego e de subsistência para muitos arquitectos, agravando as circunstâncias já difíceis de anos anteriores. Por outro, os indicadores disponíveis apontam para que a reabilitação arquitectónica e urbana - considerada estratégica e prioritária - não arrancou, não acede aos fundos comunitários ainda disponíveis e continua, assim, a ser uma miragem bem intencionada. Por fim, estão ainda longe de ser claros o caminho e os objectivos de política pública para os sectores do projecto e da construção, assim como para a melhoria do ambiente construído, por forma a equacionar, concertar e iniciar a programação e o planeamento do investimento público futuro. Caminho e objectivos que importa considerar como geradores de oportunidades para ajudar a vencer a crise e, sobretudo, para depois dela.

Recorda-se que, logo em Julho de 2011, a OA apresentou ao Governo um conjunto consistente de Memorandos que incluíam Roteiros concretos de projectos e medidas consideradas fundamentais para a melhoria do ambiente construído e para o futuro da profissão de arquitecto. Em consequência, foi iniciado o diálogo com algumas das pastas governamentais, embora não esteja ainda concluído este processo, nem exista, sobretudo, qualquer consequência desse diálogo até ao momento.

Sendo certo que a mudança de Governo implica, por parte deste, algum tempo próprio e sendo também certo que a gravíssima situação económica e financeira do País (e da Europa), a par dos compromissos internacionais, constitui o seu mais imediato desafio, a verdade é que passaram já 6 meses sobre a sua tomada de posse. Pela parte da Ordem, este tempo implicará agora um novo quadro de exigência junto do Governo, não apenas quanto a acrescida disponibilidade para o diálogo, mas, sobretudo, para as propostas apresentadas e para a consequente necessidade e celeridade da decisão política.

A Arquitectura, entendendo-a no sentido mais lato de ambiente construído, permanece como um recurso estratégico e vital para o futuro de Portugal e para o bem-estar dos cidadãos. Também os arquitectos portugueses têm provas dadas, querem ser parte da solução do País e não podem ficar condenados à indigência ou à emigração forçada. Importa, por isso, que o Governo cumpra a sua missão pública neste domínio com determinação, pois é em tempos de crise que mais se espera da sua liderança e do seu exemplo.

João Belo Rodeia
Presidente

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