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Discurso do Presidente da Ordem na Cerimónia de entrega dos Prémios Secil de Arquitectura 2010
15.12.2011
As minhas primeiras palavras são para todos os Premiados.
São eles que justificam a nossa presença e a razão de ser desta cerimónia.

Permitam-me, por isso, em nome da Ordem dos Arquitectos, felicitar publicamente o Arqº Eduardo Souto de Moura pelo Prémio SECIL 2010, assim como todos os premiados com o Prémio SECIL Universidades, sejam eles estudantes de arquitectura ou de engenharia, incluindo as respectivas Escolas.

Permitam-me igualmente cumprimentar, na pessoa do Arqº Duarte Cabral de Melo, os membros dos respectivos Júris e todos quantos ajudaram a organizar estes Prémios, endereçando uma palavra de especial reconhecimento à Empresa SECIL por manter esta iniciativa exemplar em tempos difíceis, que conta, uma vez mais, com o alto patrocínio do Senhor Presidente da República.

Recordo, aliás, que o Prémio SECIL Universidades comemora este ano o seu 10º aniversário. Edição após edição, o seu Concurso de Arquitectura tem vindo a celebrar o que de melhor se faz no âmbito do Ensino da Arquitectura em Portugal, premiando futuros autores a partir dos seus trabalhos académicos.

Nesta época de muita adversidade, importa destacar este Prémio como um momento exemplar, de optimismo e de esperança para o futuro.

Exemplar, pois insiste na simulação de um concurso de concepção, que consideramos ser o modelo de encomenda que melhor garante Qualidade e Inovação da Arquitectura, dado implicar ponderação e acerto prévios sobre o programa de concurso, tempo de reflexão e investigação disciplinar sobre o processo de projecto, e espaço de liberdade criativa.

Optimista, pois ao envolver as instituições de ensino, incentiva-as a maior qualidade, rigor e mérito na respectiva formação, e implica-as na aproximação à vida profissional, condições essenciais para melhor capacitação dos futuros arquitectos, em face da forte mutação do exercício da profissão num quadro nacional e internacional de fortes exigência, responsabilidade, concorrência e distintas oportunidades.

Esperança para o futuro pela convocação dos mais jovens, dos futuros arquitectos do nosso País, mas também porque este Prémio aposta no aprofundamento da capacidade crítica enquanto premissa indispensável para uma arquitectura que se deseja capaz de continuar a afirmar-se de forma ímpar em Portugal e no mundo, e de proporcionar, com melhores e mais belos edifícios e lugares, maior harmonia a todos.

O ano de 2011 foi particularmente generoso para a afirmação da Arquitectura portuguesa, desde logo pelo Nobel da Arquitectura, o Prémio Pritzker, atribuído a Eduardo Souto de Moura e pela Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitectos atribuída a Álvaro Siza.

Porém, este ano não deixará boas recordações à generalidade dos arquitectos portugueses e a muitos outros profissionais da área de Projecto, e tudo leva a crer que 2012 será também particularmente agreste.

Por um lado, pela restrição da encomenda de arquitectura e das oportunidades de trabalho como não há memória, com consequências dramáticas em termos de emprego e mesmo de subsistência para muitos arquitectos. Por outro, porque os indicadores disponíveis apontam para que a reabilitação arquitectónica e urbana - considerada estratégica e prioritária - não arrancou e continua, assim, a ser uma miragem bem intencionada. Por fim, porque não são ainda claros o caminho e os objectivos de política pública para os sectores do projecto e da construção, assim como para a melhoria do ambiente construído, por forma a poder equacionar, concertar e iniciar a programação e o planeamento do investimento público futuro. Caminho e objectivos que importa considerar como geradores de oportunidades para ajudar a vencer a crise e, sobretudo, para depois dela.

Sendo certo que a mudança de Governo implica, por parte deste, algum tempo próprio e sendo também certo que a gravíssima situação económica e financeira do País (e da Europa), a par dos compromissos internacionais, constitui o seu mais imediato desafio, a verdade é que já passaram 6 meses sobre a sua tomada de posse. Pela parte da Ordem, este tempo implicará agora um novo quadro de exigência junto do Governo, não apenas quanto a acrescida disponibilidade para o diálogo, mas, sobretudo, para a devida atenção para com as propostas já apresentadas desde Julho de 2011 (algumas das quais com a Ordem dos Engenheiros e a Associação Portuguesa de Projectistas e Consultores), e para a consequente necessidade e celeridade da decisão política.

Importa reafirmar que a Arquitectura, entendendo-a no sentido mais lato de ambiente construído, permanece como um recurso estratégico e vital para o futuro de Portugal e para o bem-estar dos cidadãos. Também os arquitectos portugueses têm provas dadas, querem ser parte da solução do País e não podem ficar condenados à indigência ou à emigração forçada. Importa, por isso, que o Governo cumpra a sua missão pública nestes domínios com determinação, pois é em tempos de crise que mais se espera da sua liderança e do seu exemplo.

Apraz-nos, por isso, registar a presença da Senhora Ministra nesta cerimónia, que me permito considerar como um sinal renovado de empenho do Governo da República.

As minhas últimas palavras são, claro está, para o Arqº Eduardo Souto de Moura. Pelo seu exemplo enquanto arquitecto, pela sua absoluta dedicação ao fazer da arquitectura, pelo percurso extraordinário impresso nos seus projectos, pela sua inquietação culta e crítica enquanto autor e cidadão, pela sua palavra sempre límpida, perspicaz e oportuna, e pela felicidade e orgulho que sentimos, enquanto portugueses, com o seu sucesso e com o seu extraordinário reconhecimento nacional e internacional.

Se cada edição do Prémio SECIL é sempre um incentivo para a qualidade da Arquitectura e para o reconhecimento desta enquanto bem comum do nosso País, fortalecendo os laços de proximidade com o grande público, a agora premiada Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, é disto um exemplo paradigmático, pois, a par de ser uma obra extraordinária, contribui para o que de mais fundamental a Arquitectura oferece aos cidadãos, ou seja, "criar edifícios e espaços que nos inspiram, que ajudam a fazer o nosso trabalho, que nos aproximam e que, no seu melhor, resultam em obras de arte que podemos percorrer e onde podemos viver. E, no fim de contas, é por isso que a Arquitectura pode ser considerada como a mais democrática das formas de arte", como bem afirmou o Presidente Obama, em Washington, por ocasião da recente outorga do seu merecido Pritzker.

Gostaria, assim, em nome da Ordem dos Arquitectos, de agradecer ao Arqº Eduardo Souto de Moura e de, uma vez mais, felicitá-lo por este Prémio SECIL, estendendo as felicitações à sua família, aos seus colaboradores, ao Município de Cascais, à Empresa Construtora, à pintora Paula Rego e todos quantos contribuíram para a realização da Casa das Histórias Paula Rego.

Apesar de tantas dificuldades, o ano de 2011, com Eduardo Souto de Moura, marcou o País, entregando-lhe beleza, alegria e orgulho. Importa, por isso, recordar hoje todas as arquitectas e todos os arquitectos que entregam, com as suas obras, alguma felicidade aos seus concidadãos, ajudando a fazer de Portugal e do mundo lugares melhores para ser e para viver.

A todos, muito obrigado.

João Belo Rodeia
Presidente

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