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Auditório. Léon. 1994-2002
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Luis Mansilla 1959-2012 | Homenagem de Alexandre Alves Costa
29.02.2012
São para ti, Emílio, estes pensamentos que em tempos dirigi a ambos. Para mim, pensar num, foi sempre pensar nos dois. Foi assim e vai continuar a ser. E, companheiros, com que alegria vivemos a nossa amizade.
Sempre que estivemos juntos parece que nunca nos tínhamos, antes, separado.
Não se tratava de arquitectura. Sempre me tocou a forma como sendo tão empenhados, como todos sabemos que são, no exercício disciplinar, nunca separem aquele exercício, da própria vida. E é essa saudável vitalidade que se reflecte na riqueza de forma e conteúdo das suas obras. É uma paixão pela arquitectura que decorre da paixão pela vida e isso é legível na obra, tanto, como no seu convívio pessoal.
E sendo disso que se tratou, porque hei-de ser obrigado a falar da morte?

Ainda não sei se é verdade que perdemos o Luis Mansilla. Não sei se me interessa saber.
Se um dia o perdermos vou olhar para um vazio cujo misterioso sentido, a existir, retirará sentido a tudo o resto.
Mas, porque a arquitectura, como ele escreve, não é senão a vida que se finge natureza, falarei de arquitectura, no passado e no presente, para que os olhos não se embaciem, tentando vencer as descontinuidades do tempo.

O discurso do Emílio e do Luis foi, sempre, profundamente poético. Diria melhor, talvez, literário e figurativo: preso a uma leitura do real, retirando da sua complexidade aquilo que poderá informar o futuro projecto. É como se a ideia decorresse daquela leitura, selectiva, porque a narrativa da arquitectura não pode conter todo o real. Este reconhecimento daquelas limitações constitui um primeiro gesto de bom senso que impede qualquer excesso.
Nada disto tem a ver com minimalismo, pelo contrário, tem a ver com uma ambição maximalista no reconhecimento do conteúdo dos espaços a que a construção vai dar forma.
É um processo enigmático, porque do real, não se busca a forma mas sim o sentido e, por isso, também não é uma arquitectura contextualista ou talvez seja, pelo contrário e passe o paradoxo, a única verdadeiramente contextualista.
E todos quisemos saber, sobretudo aqui no Porto, qual é o processo de desenho que, de cosa mentale desce à manualidade e ao extremo do seu radical rigor compositivo e, por isso, estrutural e construtivo.

Parece que a riqueza dos espaços que nos propõem é consequência natural, espécie de fatalidade, de um processo que se desenvolve entre uma poética do real e a ciência.
Temos a certeza de que não é assim, mas não sabemos como é, porque nunca saberemos decifrar os mistérios da criação.
E, de repente, apetece pôr tudo ao contrário, porque também é possível o contrário ser verdadeiro, como afirmava Távora, e dizer que é da forma artística dos espaços que nasce a estrutura e que o resultado vai descobrir um real que não é mais do que uma invenção que funciona como justificação a-posteriori.

O que sei, e isso sei mesmo, é que para o Emílio e para o Luis, tudo é criação artística, as formas da arquitectura, o real e a vida.
Tudo é inventado e manuseado conforme lhes convém.
Tudo é inventado e manuseado com um subtil humor para nos maravilhar
Para quê falar da morte?
Só porque nos lembramos, que o próprio Luis, dedica o seu trabalho de doutoramento, Apuntes de viaje al interior del tiempo, ao seu abuelo oculista que murió como a todos nos gustaría morir, de improviso, mientras dormia.

Alexandre Alves Costa

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