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Francisco Silva Dias homenageado no Dia Nacional do Arquitecto'12
04.07.2012
No passado dia 3 de Julho foi homenageado na Ordem dos Arquitectos o arquitecto Francisco Silva Dias, numa cerimónia que contou com a participação e intervenção de Paula Teixareira da Cruz, ministra da Justiça que participou nesta homensagem na qualidade de ex-colega do arquitecto na Assembleia Municipal da Câmara Municipal de Lisboa. A cerimónia contou ainda com a intervenção do arquitecto João Belo Rodeia, presidente da Ordem dos Arquitectos e do arquitecto Michel Toussain.

Este evento conta com o patrocínio da AXA SEGUROS.



Discurso do Presidente da OA
SESSÃO SOLENE DO DIA NACIONAL DO ARQUITECTO 2012
homenagem a Francisco Silva Dias



O Dia Nacional do Arquitecto, instituído em 2010, assinala a data da publicação do Estatuto da Ordem dos Arquitectos a 3 de Julho de 1998, e coincide com a data da revogação expressa do Decreto 73/73, a 3 de Julho de 2009. São momentos fundamentais no já longo percurso associativo dos arquitectos em Portugal, com quase 150 anos, desde que foi criada, em 1863, a Associação dos Arquitectos Civis Portugueses. São igualmente momentos que dão conta do amplo reconhecimento público da nossa profissão nas últimas décadas, a par do crescente reconhecimento da própria arquitectura como um direito de todos os cidadãos.

A Ordem dos Arquitectos celebra sempre o Dia Nacional do Arquitecto através de um percurso profissional considerado exemplar enquanto exercício e serviço. Exemplar para os arquitectos, para a arquitectura e para a sociedade portuguesas. Neste ano de 2012, homenageamos o Arqº Francisco Silva Dias.

Homenageamo-lo num momento particularmente difícil para a nossa profissão, sem dúvida o mais exigente desde que a Ordem dos Arquitectos existe.
Com a forte restrição do investimento público e do investimento privado no projecto e na construção, os arquitectos confrontam-se hoje com dramática falta de encomenda e com carência de trabalho como não há memória, com consequências nefastas em termos de emprego e de subsistência para muitos.
E, apesar disso, estão ainda longe de ser claros o caminho e os objectivos de política pública - designadamente no quadro da regeneração urbana - para o sector da arquitectura e para outros afins, por forma a equacionar, concertar e iniciar a programação e o planeamento do investimento público futuro. Caminho e objectivos que importa equacionar para vencer a crise e, sobretudo, para depois dela.
Na verdade, entendemos a crise que atravessamos como oportunidade. Oportunidade para aprofundar a missão de serviço público da OA e da nossa profissão. Oportunidade para melhorar a qualidade e a sustentabilidade do nosso território, da arquitectura e do ambiente construído. Oportunidade para pensar e antecipar o futuro do nosso País.
Neste contexto, a Arquitectura, entendendo-a no seu sentido mais lato, permanece como um recurso estratégico e vital para o bem-estar dos nossos concidadãos e, dentro e fora de fronteiras, para o futuro de Portugal. De igual modo, os arquitectos portugueses têm provas dadas e querem fazer parte da solução para o nosso devir futuro colectivo.
Por isso, no momento em que perfaz já um ano sobre o amplo conjunto de propostas apresentadas pela Ordem dos Arquitectos ao Governo, sem consequências assinaláveis para além do diálogo, o dia de hoje serve igualmente para anunciar um novo quadro de exigência para a decisão política que visará, não apenas a melhoria das condições do exercício da nossa profissão, mas sobretudo a crescente qualidade e sustentabilidade da própria Arquitectura.
Um novo quadro de exigência que é inseparável de uma atitude positiva e criadora de expectativas viáveis, entregando prioridade à concertação, à equidade, ao sentido de compromisso, e à solidariedade e coesão entre os arquitectos, e entre estes e os seus concidadãos.

Nesta conjuntura, o Dia Nacional do Arquitecto ganha assim melhor sentido, tanto mais quanto o nosso homenageado é o Arqº Francisco Silva Dias e quando o homenageamos na casa de todos os arquitectos. Casa a que dedicou grande parte da sua vida em intensa e generosa actividade associativa.

Importa assinalar que Francisco Silva Dias foi outorgante da escritura pública da constituição da Associação dos Arquitectos Portugueses (1978) e o primeiro Presidente eleito da AAP enquanto associação de direito público (1990).
Foi também Presidente do Conselho de Arquitectos da Europa (1992) e, em nome da AAP, seu membro fundador (1990). Foi igualmente o primeiro Presidente do Conselho Internacional dos Arquitectos de Língua Portuguesa (1991). Entre 2006 e 2011, desempenhou exemplarmente as funções de Provedor da Arquitectura da Ordem dos Arquitectos.
Participou, ainda muito jovem, no mítico Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa (1955-60), em equipa com Nuno Teotónio Pereira e António Pinto de Freitas (Zona 4/ Estremadura e Ribatejo).
Por tudo isto e por muito mais, é Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos desde 2003.

E neste mais, importa destacar a sua entrega profissional, cívica e política á questão central da habitação para todos, um dos seus temas de eleição, desde que se diplomou em Arquitectura, em 1957, versando Aspectos do Problema de Habitação em Portugal. Ou quando participou, já depois do 25 de Abril, na operação SAAL do Alto dos Moinhos (1975), com ensaio de utilização de casas-pátio evolutivas, na sequência dos estudos no LNEC sobre tipologias de edifícios e formas evolutivas da habitação (1970), com Nuno Portas.
Outro dos seus temas fundamentais será o próprio território, na firme convicção de ser possível melhor urbanismo e planeamento para a todos servir, conforme procurou em Chelas, em Sines ou na sua aventura africana, em Angola. Ou, enquanto docente universitário na área do Planeamento Urbano no Curso de Arquitectura da ESBAL e da sucessora Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Nela se doutorou com tese intitulada Raízes e Perspectivas do Urbanismo Meridional Português: A Arte Urbana dos Aglomerados Portugueses de Influência Mediterrânica (2000), regressando a outro dos seus temas recorrentes.

Sobre estes e outros aspectos, outros dele melhor falarão. Ainda assim, se me é permitida uma nota pessoal, dado que Francisco Silva Dias foi meu mestre, gostaria hoje de celebrar o homem íntegro e generoso que, apesar de discreto, nunca hesitou em entregar-se à cidadania activa, cujas verticalidade, coerência, civilidade e defesa do bem-comum sempre foram amplamente reconhecidas, incluindo por adversários. Mesmo diante de inevitáveis consequências, insurgiu-se contra as injustiças, militou contra o Estado Novo, lutou por melhores condições para os menos favorecidos e por um mundo melhor para todos, e assumiu plenamente os seus ideais na actividade política, designadamente na Câmara Municipal de Lisboa.

Por fim, permitam-me dizer que é uma grande honra partilhar com Francisco Silva Dias esta sessão solene, desde logo porque personifica, em si mesmo, a função social, a dignidade e o prestígio da nossa profissão.
Nestes tempos tão difíceis, o seu exemplo inspira-nos a sermos melhores no serviço que prestamos aos arquitectos, aos nossos concidadãos e a Portugal.




João Belo Rodeia
Presidente da Ordem dos Arquitectos
3 Julho 2012

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