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OA com Nuno Teotónio Pereira no Prémio Árvore da Vida
16.07.2012
No passado dia 11 de Julho, o arquitecto Nuno Teotónio Pereira recebeu o Prémio Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Igreja Católica Portuguesa. A cerimónia, com casa (muito) cheia e que contou com a presença do Presidente da OA, decorreu na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, da autoria do homenageado (com Nuno Portas e Pedro Vieira de Almeida). Transcrevem-se, de seguida, as palavras do Pe. José Tolentino Mendonça na ocasião:

Nuno Teotónio Pereira, nasceu em Lisboa a 30 de Janeiro de 1922 e diplomou-se na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, em 1949. Mas já um ano antes, quando era apenas estudante finalista, a sua comunicação no Congresso Nacional de Arquitectura, onde versou o tema “Habitação Económica e Reajustamento Social”, anunciava um paradigma de arquitectura comprometida com os direitos fundamentais da pessoa humana e com a transformação estética e política do mundo. Teotónio Pereira haveria de trabalhar, durante décadas, como consultor de Habitações Económicas na Federação das Caixas de Previdência, tendo lançado o primeiro concurso de soluções arquitectónicas para habitação de renda controlada. Foi também relator do primeiro plano sectorial de Habitação - Plano Intercalar de Fomento - documento pioneiro na identificação das carências habitacionais do nosso país.

Em 1952, juntamente com artistas plásticos (lembramos José Escada, Jorge Vieira, Cargaleiro, Madalena Cabral, Eduardo Nery...) e os arquitectos Nuno Portas, Luís Cunha, Diogo Lino Pimentel, Formosinho Sanches, entre outros, fundou o Movimento para a Renovação da Arte Religiosa (MRAR), de que foi o primeiro presidente. O artigo 1º dos estatutos do MRAR definia-o como “uma comunidade católica de artistas, com o fim genérico de promover, em todos os domínios da arte religiosa, o encontro de uma verdadeira criação artística com as exigências do espírito cristão” (“Estatutos”, Artº 1º). O Movimento para a Renovação da Arte Religiosa daria um contributo decisivo à recepção, por parte da Igreja portuguesa, do espírito do Concílio Vaticano II, vindo a constituir uma página histórica e exemplar no necessário diálogo entre a Fé e a Cultura. Actividades marcantes do MRAR foram a “Exposição de Arte Sacra Moderna” (1956 e 1960); o concurso do ante-projecto para a construção da Sé de Bragança e a apresentação em Portugal da exposição itinerante “Novas Igrejas na Alemanha”.

Ao longo da sua carreira Nuno Teotónio Pereira recebeu vários prémios de arquitectura que dão testemunho da altíssima qualidade do seu trabalho criador: Prémio da I Exposição Gulbenkian, 1955, com o Bloco das Águas Livres; 2o Prémio Nacional de Arquitectura da Fundação Gulbenkian, 1961; Prémio AICA de 1985, Prémios Valmor de 1967, 1971, 1975, respectivamente Torre de Habitação nos Olivais Norte, Edifício Franjinhas na Rua Braamcamp em Lisboa e Igreja do Sagrado Coração de Jesus, agora classificada como monumento nacional. Uma história curiosa, que atesta bem como a arte e a dimensão moral do percurso de Nuno Teotónio Pereira se conjugam para constituir uma fecunda Árvore da Vida, está no facto de ter desenhado o sacrário da Igreja do Coração de Jesus na prisão de Caxias, onde estava retido por motivos políticos.

Num momento nacional dramático para a Arquitectura, profissão que tem sido duramente flagelada pela crise económica, pensamos que a estatura ética, criativa e crente de Nuno Teotónio Pereira representam uma lição de humanidade para todos nós e uma luz oportuníssima para pensar o lugar e o modo da Arquitectura reinscrever-se no presente e no futuro.

O Júri do Prémio Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes teve a seguinte constituição: D. João Lavrador, Vogal da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais; Cónego João Aguiar, Presidente do Conselho de Gerência da Rádio Renascença, patrocinadora deste Prémio, que se fez representar; António Vaz Pinto S.J., Diretor da Revista “Brotéria”; Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura; Maria Teresa Dias Furtado, Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que se fez representar; e José Tolentino Mendonça, Diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Esta é a oitava atribuição do «Prémio de Cultura Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes», instituído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura em parceria com a Rádio Renascença, e que, nas edições anteriores, distinguiu já o poeta Fernando Echevarria, o cientista Luís Archer s.j., o cineasta Manoel de Oliveira, a professora de Estudos Clássicos Maria Helena da Rocha Pereira, o político e intelectual Adriano Moreira, o trabalho de diálogo entre Evangelho e Cultura levado a cabo pela Diocese de Beja, e o compositor Eurico Carrapatoso.

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