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O prédio que simboliza a vida moderna lisboeta foi classificado como monumento de interesse público
14.08.2012
<< O realizador Pedro Costa captou o Bloco das Águas Livres numa cena urbana nocturna que podemos rever no filme O Sangue. É "o prédio perfeito" como cenário e está sempre a aparecer em spots publicitários, notou Catarina Portas numa crónica há uns anos no PÚBLICO. Desde esta segunda-feira, o edifício lisboeta desenhado por Nuno Teotónio Pereira e Bartolomeu Costa Cabral em 1953 está protegido como monumento de interesse público, uma classificação nacional atribuída pela Secretaria de Estado da Cultura.

É o prédio perfeito porque simboliza a vida moderna, a vida quotidiana do nosso tempo - mesmo 50 anos depois. O arquitecto João Afonso, que co-comissariou em 2004 a primeira exposição retrospectiva dedicada a Teotónio Pereira, explica porque é que o Bloco das Águas Livres, inspirado na Unidade de Habitação do arquitecto franco-suíço Le Corbusier, tem este significado: "É uma casa já pensada para uma família reduzida, que já não tem empregada. A sala e a cozinha têm um uso moderno, um espaço unitário. Ali podemos reconhecer o paradigma onde vivemos: não temos ninguém que vá à cozinha por nós. A Unidade de Habitação é onde Le Corbusier formalizou o seu sonho de habitação para o homem moderno." A sua classificação, continua Afonso, protege um exemplar único da revisão do Movimento Moderno em Portugal, porque os dois arquitectos - que tiveram ainda a contribuição de Gonçalo Ribeiro Telles nos espaços verdes - já se preocuparam com a integração do edifício no quarteirão da cidade.

A portaria publicada esta segunda-feira em Diário da República diz que o edifício é "uma obra ímpar no panorama da arquitectura habitacional portuguesa contemporânea" e "uma das realizações mais inovadoras de Nuno Teotónio Pereira". Fixa uma zona especial de protecção do monumento, que salvaguarda as vistas do edifício para o Tejo e a relação com o Aqueduto das Águas Livres.

O director-geral do Património, Elísio Summavielle, diz que "só há razões para estarmos contentes", porque "é um monumento importante da arquitectura moderna", feito por "um arquitecto consagrado e de referência como Nuno Teotónio Pereira". "Tem coisas muito interessantes do ponto de vista artístico, com património integrado de artistas plásticos relevantes do século XX. É um exemplo emblemático de um edifício de habitação e rendimento que se manteve íntegro todas estas décadas." O programa artístico para os espaços de uso colectivo junta Almada Negreiros, Manuel Cargaleiro, Jorge Vieira, José Escada e Frederico George.

Esta segunda-feira, Teotónio Pereira, com 90 anos, estava "muito contente" com a classificação: "Foi uma obra feita quando éramos muito novos. Resultou muito bem. Tem muita coisa original." Dá como exemplos a concepção do espaço e a utilização de materiais "não muito comuns em Portugal". Nos anos 1950, os apartamentos em Lisboa, lembra, tinham uma divisão convencional: "Juntámos num único espaço a sala de visitas e a sala onde a família se reunia e chamámos-lhe "sala de estar". É um espaço maior." O arquitecto salienta ainda o trabalho feito em redor das varandas, "que são um prolongamento da sala de estar, com uma vista lindíssima sobre Lisboa e sobre o Tejo". Em Lisboa, as varandas "eram qualquer coisa fora de casa, muito estreitas, onde não se podia estar sentado numa cadeira".

O escultor José Pedro Croft, que mora no Bloco das Águas Livres, acha a classificação "justíssima e maravilhosa" e diz que essa relação entre o exterior e o interior trabalhada pelos arquitectos fá-lo sentir que nunca está num espaço fechado: "Em qualquer sítio onde se está há grandes planos de vidro abertos para o exterior, que mostra uma grande sabedoria dos arquitectos. Há várias possibilidades de fuga." >>

Fonte: Jornal Público



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