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Alcino Soutinho (1930-2013)
26.11.2013
Para ALCINO SOUTINHO:
um pequeno testemunho


Alcino Soutinho, membro honorário da Ordem dos Arquitectos, partiu em nova viagem.

Outros que não eu, melhor falarão da sua anterior viagem entre todos nós, na certeza de ter sido exemplar ao personificar a dignidade e o prestígio da profissão de arquitecto em Portugal. Dedicou-lhe mais de 50 anos da sua vida, construindo um percurso singularmente plural e uma obra tão prolífera quanto consistente e incontornável.

São inúmeras as referências possíveis a assinalar, muitas paradigmáticas na arquitectura portuguesa contemporânea. Permito-me destacar algumas que maior influência tiveram na minha própria aprendizagem, como sejam a Pousada de D. Diniz no interior fortificado de Vila Nova de Cerveira, as intervenções no Convento de São Gonçalo em Amarante ou ainda o edifício dos Paços do Concelho de Matosinhos, sinalizando o novo poder municipal democrático. Lutador pela liberdade antes de Abril, envolveu-se na procura de habitação condigna para todos na equipa da Federação das Caixas de Previdência ou, após a revolução, liderando brigada na epopeia SAAL.

Porém, a sua actividade alargou-se a muitos outros domínios, do ensino à investigação, da museologia ao design, da consultoria à própria acção associativa, entre tanta intensidade, quase tanta quanto na sua própria vida. Foi fiel guardião da sua família e amigo dos seus amigos. Gostava da felicidade e de partilhá-la com os outros. Viu esta sua viagem generosa ser reconhecida e celebrada.

A sua vida, as suas obras e a sua dedicação continuarão sempre bem presentes entre todos os arquitectos portugueses. Quero acreditar que continuará, na sua nova viagem, a iluminar outros lugares, tal como brilhou na nossa existência colectiva.

Para si, Alcino Soutinho, onde quer que esteja, segue um forte abraço.

João Belo Rodeia
Presidente da Ordem dos Arquitectos



Nota Pública de Pesar
- Alcino Soutinho (1930-2013)

O Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier
, em seu nome pessoal e em nome do Governo, expressa público pesar pelo falecimento de Alcino Soutinho (1930-2013).

Um dos grandes arquitetos do seu tempo e autor de várias obras emblemáticas, Alcino Soutinho dedicou-se, ao longo de mais de cinquenta anos, às causas da arquitetura e do urbanismo e viu os seus trabalhos serem distinguidos e premiados a nível nacional e internacional, sendo um dos elementos chave da chamada Escola do Porto.

As suas obras são parte integrante da história da arquitetura portuguesa e a sua dedicação à investigação, ao ensino e à renovação da paisagem urbana em Portugal será sempre recordada por todos aqueles que tiveram o privilégio de acompanhar de perto a sua carreira e de conviver com ele.

Em Julho deste ano, em reconhecimento do seu talento e contributo para a arquitetura portuguesa, foi galardoado com a Medalha de Mérito Cultural pelo Secretário de Estado da Cultura.

À família enlutada, aos amigos, antigos alunos e à Ordem dos Arquitetos Portugueses apresento as minhas condolências.

Lisboa, 25 de Novembro de 2013


João Rodeia por ocasião da sessão solene do Dia Nacional do Arquitecto em Junho 2013

Decidiu a Ordem dos Arquitectos celebrar o Dia Nacional do Arquitecto 2013 com uma justa homenagem a Alcino Peixoto de Castro Soutinho (Vila Nova de Gaia, 1930), pela sua dedicação à profissão durante mais de 50 anos, pela singularidade plural do seu percurso e pela consistência da sua obra.
Concluída a formação pela ESBAP/ Escola Superior de Belas Artes do Porto (1959), desenvolveu desde então actividade profissional prolífera, impressa num vasto conjunto de projectos e obras com programas e escalas muito diversos, do mobiliário à cidade. Tal não inibiu a exemplaridade de muitas, algumas paradigmáticas na arquitectura portuguesa contemporânea, como nos casos da Pousada de D. Diniz no interior fortificado de Vila Nova de Cerveira (1970-82)1 ou da intervenção no Convento de São Gonçalo em Amarante (1973-88), incluindo Paços do Concelho, Biblioteca Municipal e o Museu Amadeo de Souza-Cardoso. A estas referências incontornáveis no quadro da valorização patrimonial, juntar-se-ia o novo edifício dos Paços do Concelho de Matosinhos (1981-87), sinalizando o novo poder municipal após a Revolução dos Cravos. Importará igualmente registar o seu envolvimento na procura de habitação condigna para todos na equipa da Federação das Caixas de Previdência (1961-71) ou, após o 25 de Abril, liderando brigada da iniciativa SAAL (1974-77).
Porém, a sua actividade alargou-se a muitos outros domínios. Foi bolseiro em Itália para investigação em Museologia (1961) pela Fundação Calouste Gulbenkian, com a qual manterá colaboração regular. Exerceu destacada actividade docente na ESBAP/FAUP (1972-99), contribuindo para a afirmação da chamada Escola do Porto. Foi Presidente do Centro Português de Design (1998-2001), sendo membro da Associação Portuguesa de Designers. E tem desenvolvido intensa actividade de assessoria/consultoria, designadamente junto do Comissariado para a Renovação Urbana da Área Ribeira-Barredo no Porto (1993-97), da Administração do Porto de Lisboa (1996-2002) ou de inúmeros municípios, nalguns dos quais com influência determinante no seu desenvolvimento. Matosinhos e Gaia atribuíram-lhe a respectiva Medalha de Mérito. Ainda assim, entre tanta intensidade, sempre encontrou espaço para a defesa da profissão e a dedicação à actividade associativa, designadamente como Presidente da Assembleia Geral da Ordem dos Arquitectos (1999-2002).
Pelo mérito relevante do percurso de Alcino Soutinho, o Presidente da República condecorou-o com a Comenda da Ordem Militar de Santiago de Espada (1993).
Em 2007, Alexandre Alves Costa afirmaria que a sua obra “é sempre afirmativa e de síntese brilhante na consolidação do que vai sendo adquirido, em dramáticos processos de síntese, de que conscientemente se alheia. Depurada de ambíguas complexidades, resultado de um saber disciplinado antigo que, na prática construtiva, recusa qualquer retórica literária, a obra de Soutinho é, sempre, o epígono de uma inquietação que, resolvida, não deixa comparecer. Este debate, a existir, é anterior e exterior à sua obra que, assim, pode afirmar convictamente e a cada momento o estado da arte de construir...”.
No seu caminho, no seu fazer, na sua entrega, Alcino Soutinho constitui um exemplo incontornável para os arquitectos portugueses, personificando a dignidade e o prestígio da profissão de arquitecto em Portugal.



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