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Brasília 1957–1980: Arquitetura e artes em confronto, com Guilherme Wisnik
18.03.2014
Cinema Passos Manuel
27 de Março de 2014
21h30

Após as conferências PAINEL, em 2012, e MIES DADA, em 2013, é a vez de a Dafne receber um convidado brasileiro. Guilherme Wisnik vem de São Paulo ao Porto para nos dar a conhecer os processos, nem sempre pacíficos, através dos quais a música e as artes plásticas se envolveram na construção de significados para arquitectura moderna.

Projectada em 1957, Brasília foi inaugurada três anos depois, coroando a bem sucedida “formação” da arquitectura moderna brasileira e o optimismo desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitschek, sob o som da Sinfonia da Alvorada de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Dez anos depois, a nova capital – tomada em 1964 como a sede do poder militar no país – reaparecia como o cenário monstruoso da canção Tropicália de Caetano Veloso, hino do movimento de contracultura. “Bossa” era igualada a “palhoça”, e Brasília, signo progressista do futuro, passava a soar como reencarnação dos arcaísmos nacionais, monumento aberrante plantado no Planalto Central do país, com edifícios sem porta. A idealização do progresso estava sob o ataque das artes, em obras como “Brasil diarreia” de Hélio Oiticica ou a carnavalização antropofágica de Zé Celso Martinez Corrêa. Em 1980, no filme A Idade da Terra, Brasília foi o cenário escolhido por Glauber Rocha para filmar a vida de Cristo no Terceiro Mundo, em tom sebastianista, escancarando a face épica e contraditória desse grande símbolo. As artes unidas contra a arquitectura? Qual a resposta da arquitectura brasileira contra esse golpe mortal?


APRESENTAÇÃO POR MARIA MANUEL OLIVEIRA

Guilherme Wisnik é arquitecto pela Universidade de São Paulo (FAU-USP), onde ensina História da Arte e da Arquitectura. É autor de monografias sobre Lucio Costa (Cosac Naify, 2001) e Caetano Veloso (Publifolha, 2005). A sua tese de doutoramento explora as relações entre arte e arquitectura contemporânea (Dentro do nevoeiro, 2012). Actua como crítico e curador, tendo sido Curador Geral da Bienal de Arquitetura de São Paulo em 2013, Cidade: modos de fazer, modos de usar.

Organização: Dafne Editora Apoio Financeiro: Direcção Geral das Artes – Secretaria de Estado da Cultura Apoio Institucional: Ordem dos Arquitectos, Secção Regional Norte Apoio à divulgação: Estratégia Urbana Apoios: Passos Manuel, Casa do Conto.


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