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Shigeru Ban é Pritzker da Arquitectura'14
25.03.2014
Shigeru Ban é um arquitecto cujo trabalho incansável inspira optimismo. Onde outros podem ver desafios insuperáveis, Ban vê um convite à acção. Onde outros podem tomar um caminho seguro, ele vê a oportunidade de inovar. Além disso, é um professor comprometido que não é apenas um modelo para a geração mais jovem, mas também uma fonte de inspiração.
[…]
A sua abordagem criativa e capacidade de inovação, especialmente relacionadas com materiais e estruturas, estão presentes em todas as suas obras. Em resposta a desafios permanentes, Shigeru Ban expandiu o papel da profissão, conseguiu que os arquitectos dialogassem com os governos e órgãos públicos bem como com as comunidades envolvidas. O seu sentido de responsabilidade e de acção para criar uma arquitectura de qualidade que atenda às necessidades da sociedade, em conjunto com a sua abordagem original para estes desafios humanitários, tornam o vencedor deste ano num profissional exemplar.

Júri Pritzker'14



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"Não é a monumentalidade da obra que distingue o trabalho de Shigeru Ban. Grande parte da sua arquitectura não se inscreve na paisagem de forma permanente, com a ambição de intemporalidade. Shigeru Ban trabalha noutra escala.

É célebre pelos edifícios provisórios criados em cenários de guerra ou em locais devastados por desastres naturais. É também reconhecido pelos materiais que utiliza e que não ligamos habitualmente à construção, como cartão, grades de cerveja ou contentores. Shigeru Ban foi distinguido esta segunda-feira com o Pritzker, o mais importante prémio no mundo da arquitectura.

O júri realçou a “simplicidade elegante” das suas obras e elogiou-o por “responder com criatividade e design de alta qualidade a situações extremas causadas por desastres naturais devastadores”: “Os seus edifícios providenciam abrigo, centros comunitários e locais espirituais àqueles que sofreram perdas tremendas e destruição. Quando a tragédia se abate, ele está muitas vezes lá desde o início”.

Shigeru Ban é o terceiro arquitecto japonês a vencer o Pritzker nos últimos cinco anos, depois da dupla Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa em 2010 e de Toyo Ito o ano passado (entre um e outro, Souto Moura, em 2011, tornou-se o segundo português a ser distinguido, sucedendo ao Pritzker de 1992 atribuído a Álvaro Siza). Ban distingue-se, porém, dos seus compatriotas recentes vencedores do prémio.

Trabalho humanitário
Nascido em Tóquio em 1957, estudou no Southern California Institute of Architecture e na Cooper Union School of Architecture em Nova Iorque. Em 1985, abriu o seu atelier em Tóquio, sendo que actualmente mantém igualmente escritórios em Paris e Nova Iorque.

Começou a desenvolver trabalho humanitário depois de tomar contacto com as condições dos campos de refugiados no Ruanda, em 1994. Desenvolveu nessa altura protótipos para tendas construídas em cartão, material que começara a utilizar no final dos anos 1980. Um ano depois, em 1995, desenhou habitações de emergência, com alicerces construídos com grades de cerveja e paredes criadas com tubos de papel, para a população desalojada após o violento terramoto em Kobe, no Japão.

Ao longo dos anos, a sua arquitectura de apoio a populações assoladas por guerra ou tragédias naturais foi erguida na Turquia, Índia, China, Haiti, Japão, no Ruanda ou em Christchurch, na Nova Zelândia, onde erigiu em 2011 uma igreja, criada com os nele habituais tubos de papel reciclado, orientados na vertical e tratados quimicamente para assegurar a impermeabilização, em substituição do templo original, destruído por um terramoto. Algumas das obras passaram mesmo de temporárias a permanentes, como o centro comunitário originalmente construído em Kobe que a população exigiu manter.

Paralelamente ao seu trabalho humanitário, Ban tem também no seu portefólio obras como o Centro Pompidou em Metz, condomínios em Manhattan ou um museu de arte em Aspen, no Colorado, que irá ser inaugurado ainda este ano.

“O importante é o equilíbrio”
“Quando Martha Thorne [directora executiva do Pritzker] me ligou, pensei que estava a brincar”, escreveu Shigeru Ban em comunicado. “Sabia a razão pela qual tinha sido escolhido, e sabia que era uma razão bastante diferente relativamente a outros laureados. Foi um incentivo para continuar o trabalho social que faço, ao mesmo tempo que desenvolvo projectos como museus e outros trabalhos”, escreveu. “Recebo-o, portanto, como incentivo”, reafirmou.

Numa entrevista telefónica após a atribuição do Pritzker, citada pelo Los Angeles Times, Shigeru Ban apontou que os arquitectos estão muitas vezes “demasiado ocupados a trabalhar para os privilegiados. Historicamente tem acontecido o mesmo. As pessoas privilegiadas têm dinheiro e poder, que são invisíveis, portanto contratam-nos para tornar o seu poder e dinheiro visíveis através de arquitectura monumental. O importante para mim é o equilíbrio, trabalhar em edifícios normais e também em zonas devastadas”, acrescentou."

Fonte: Público


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