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Roteiro pela Profissão. Etapa 1
14.07.2014
A primeira etapa do itinerário pelos temas da profissão teve lugar na Casa dos Cubos, em Tomar, a 19 de Junho. Em organização conjunta com a OASRS e a Delegação de Abrantes, o CDN deu início ao Roteiro que procura envolver, de forma aberta e conjunta, os membros e a sociedade civil.

A discussão versou três tópicos: Reabilitação Urbana, Património Arquitectónico e Qualidade de Vida.
Ainda que qualquer dos temas não seja propriamente novo para os profissionais arquitectos, o facto é que ganharam actualidade no quadro conjuntural crítico que atravessamos e são necessários para definir estratégias e políticas para uma intervenção integrada e programada. Reabilitação, regeneração, revitalização são expressões de uma mesma realidade que deve ser construída com o saber e a prática dos arquitectos.

O arquitecto Rui Serrano, vice-presidente da Câmara de Tomar, deu início aos trabalhos justificando a sua realização na Casa dos Cubos, um espaço que traduz a dualidade da imagem da memória e dos valores do município e da inovação e renovação que os arquitectos conseguem proporcionar. É um local onde se reúnem os três tópicos do debate.

Enquanto autarca sublinhou a necessidade de delinear estratégias para fazer face aos desafios que se colocam à gestão da autarquia e da Comunidade Urbana do Médio Tejo, com a participação da sua presidente, a Dra Maria do Céu Albuquerque, no quadro do próximo Quadro Comunitário (2020) na questão da reabilitação urbana. Procuram-se novas respostas às necessidades dos munícipes e das comunidades, tirando partido das qualificações das cidades e enquadrando de forma criativa todos os projectos. Por isso se valorizou a participação do Convento de Tomar, através da sua directora, a arquitecta Andreia Galvão, e do Instituto Politécnico de Tomar, com o docente arquitecto Fernando Sanchez Salvador.

Os restantes convidados, todos arquitectos, estão a desenvolver trabalhos de requalificação em Tomar ou Abrantes.

O Presidente da Ordem, arquitecto João Santa-Rita, apresentou a proposta do Roteiro pela Profissão, um espaço de encontro e debate, que deve trazer contributos para as temáticas a discutir no momento estatutário do Congresso dos Arquitectos, que reúne de três em três anos, e para a necessária abertura à sociedade da Ordem dos Arquitectos.

O primeiro tema trazido para este momento de ensaio do itinerário é o da Reabilitação, uma actividade que tem de ser repensada quando importa requalificar não só apenas os centros mas ainda as periferias, com adaptações a novos usos através de intervenções a níveis muito diversos, muito poucas vezes vertidas num quadro legal de fácil e claro enquadramento.

O Património Arquitectónico é rico e vasto em Portugal. Carece de inventariação e de uma programação da sua revitalização, que deve integrar novos modelos de intervenção com mais participação dos cidadãos na medida em que se trata de um importante factor de identidade local.

A Qualidade de Vida está intimamente ligada à qualidade do espaço e, enquanto arquitectos, a qualidade das suas realizações decorre da assunção de uma responsabilidade social e pública.

Para a Dra Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara de Abrantes o grande desafio da reabilitação urbana ganha escala quando tratado numa lógica de comunidade intermunicipal; a nível da solidariedade entre os municípios e de projectos intermunicipais que conseguem manter a identidade de cada município e de cada centro histórico. A regeneração urbana deve ser implementada sob uma estratégia de eficiência energética e de engenharia financeira, criando melhores condições de vida para os munícipes e estimulando a economia local. O plano estratégico da regeneração urbana de Abrantes privilegiou as vertentes residencial, cultural e económica, trazendo para o centro os serviços sociais – unidade de saúde, centro de jovens, escola –, a dinamização do comércio – um centro comercial a céu aberto – e das actividades culturais – festas e residências artísticas – com um serviço de transportes para todos e a construção de habitação social ou a custos controlados. A par do trabalho desenvolvido pelo Gabinete do Centro Histórico e dos arquitectos funcionários do município foram contratados trabalhos a arquitectos de renome.
A autarca terminou lançando o repto: “contamos convosco, senhores arquitectos; ajudem-nos a pensar a apropriação do espaço público”. Para o efeito deixou três desafios: “a economia dos meios/o preço, a funcionalidade e a facilidade de manutenção das intervenções”.

Rui Serrano aproveitou para levantar a questão: “Qual o papel da Arquitectura e dos arquitectos nos nossos territórios nos dias de hoje?” O cluster da reabilitação urbana interliga quatro entidades entre si: a OA ou os arquitectos, os municípios, as universidades e as associações empresariais. A qualquer delas compete, com maior ou menor grau de intervenção, pensar, planear e agir no território por forma a tornar as cidades – que em 2050 absorverão 75% da população mundial – mais competitivas, ou seja, aceleradoras e catalizadoras de novas dinâmicas criativas, em termos dos cidadãos – individual ou colectivamente –, dos profissionais – em particular dos arquitectos – e municipais.

A criatividade encontra lugar também no legado patrimonial quando este se liga à contemporaneidade. Andreia Galvão procura garantir que o Convento de Cristo esteja mais entrosado com a cidade e considera o património como um instrumento de desenvolvimento do território e de uma cultura de adequação de investimentos, de custos e benefícios na sua salvaguarda, face à integração social que pode proporcionar. O património é um recurso de coesão económica e social e de promoção da imagem da cidade. Desta forma, o Convento é uma plataforma, um laboratório vivo e activo disponível para dialogar e trabalhar com os activos que o rodeiam, Ordem dos Arquitectos incluída.

Pedro Dias Costa, presidente da Delegação de Abrantes, alertou para o facto da regeneração urbana não ser a mesma coisa em Lisboa ou no Porto ou em meios rurais, se acreditamos que ainda existem; trata-se de uma questão de densidade e de lógica de concentração, também demográfica, que arrasta problemas económicos. Acredita que no problema da regeneração se encontra a sua própria solução e que os arquitectos fazem parte do problema e da sua solução. Encontra razões de optimismo para o futuro da profissão se os arquitectos souberem inverter o ciclo dos problemas para o ciclo das soluções.

Vítor Mestre e Sofia Aleixo questionaram o papel da OA quanto à formação dos reabilitadores, quando a regeneração urbana deve ser também uma regeneração social. Compete à OA alargar o debate a todos os membros e não privilegiar a afirmação dos “arquitectos estrela”. Todos os arquitectos são necessários nas tarefas de requalificação.

Fernando Sanchez Salvador propõe um olhar para a Arquitectura através da cidade. A sua regeneração deve ser abordada através da reabilitação urbana e arquitectónica. A cidade de Tomar, uma organização a partir do lençol de água do Nabão, tem se mantido muito pouco alterada desde o século XIX com a sua malha ortogonal. A impregnação do tempo, da arquitectura nos monumentos e no traçado urbano do centro assenta numa economia própria que traduz um cadastro e um registo de propriedade muito próprio. A memória colectiva de materiais, técnicas e projectos é um património de valor que contém, em simultâneo, uma herança e um legado num tempo longo. Citou Solà-Morales para recordar que “uma cidade sem vida é um parque temático”. O arquitecto deve lidar com a heterogeneidade que é sinal da vitalidade das cidades, de interesses a diversos níveis, sociais e económicos, que potenciam economias de diferentes escalas e usos.
Adalberto Dias mostrou um diaporama com imagens dos seus trabalhos de reabilitação em curso, a igreja de São João Batista em Tomar, a intervenção no claustro da Sé de Lisboa, mas centrou a sua exposição no sucesso ou insucesso de algumas intervenções do Porto 2001. A política de novas centralidades nos anos 70 para equilibrar a pressão sobre o centro teve o efeito perverso de esvaziar o centro, daí no Porto se ter proclamado o regresso à Baixa. As pressões, funcionalidade e um carácter urbano e próprio da Baixa passaram pelo desenho de novas acessibilidades que é a matriz do desenho urbano.

Cândido Chuva Gomes, a desenvolver o projecto de reabilitação do complexo da Levada, centrou a sua intervenção na importância da leitura e da interpretação do sítio e no conceito de temporalidade. O sistema de produção do território é variado e é um legado para o exercício da intervenção. Deve avaliar-se o real, o legado físico que temos; olhar para os edifícios como capítulos num curso do tempo, cada edifício como uma matriz de base que está integrado num conjunto. Completada esta leitura é necessário criar espaços de energia e de comunicação entre pessoas e profissões. Terminou com um apelo à Ordem dos Arquitectos para que defina estratégias para exportar a arquitectura nacional.

Seguiu-se um pequeno debate com todos os intervenientes, moderado por Pedro Ravara, vice-presidente do CDN, que acentuou a continuidade e a ruptura que são introduzidas pelas intervenções na cidade e na sua dinâmica enquanto “ser vivo”.
João Santa-Rita fez a síntese dos trabalhos apontando cinco aspectos assenciais que a OA deve acompanhar de perto:

- Os arquitectos querem ser parte da solução porquanto são gestores de problemas e de conflitos; estão habilitados a lidar com a realidade e a coordenar o trabalho de uma série de profissionais.
- Os arquitectos olham para a cidade como um todo e procuram equilíbrios entre os seus tecidos, o centro e a periferia.
- Do ponto de vista da formação, os arquitectos devem recuperar o saber que foi acumulado durante um tempo muito longo.
- Os arquitectos devem procurar novos caminhos face à escassez do campo de acção: o arquitecto é um profissional que dialoga com a sociedade e interpreta as suas necessidades.
- A capacidade de exportação da Arquitectura deve ser alargada.

Participe nas próximas etapas do Roteiro pela Profissão. Os interessados podem apresentar comunicações dentro dos temas propostos. Esteja atento às notícias.


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