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Desafio a estudantes e arquitectos a partir de poema de Pessoa
18.06.2015
Call for projects até 1 de Julho

A Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Sul e a Casa Fernando Pessoa desafiam os arquitectos e estudantes de arquitectura a apresentar propostas de reflexão/interpretação a partir de um trecho do poema Chuva oblíqua, de Fernando Pessoa, publicado no número 2 da revista Orpheu há 100 anos, na edição de 15 de Junho de 1915.

Os interessados em participar podem apresentar uma proposta de leitura tridimensional (materialização/interpretação) partindo do poema.

Todas as propostas entregues serão expostas na Sala Alta da Casa Fernando Pessoa (4 a 31 de Julho), integrando a programação do Festival Silêncio de 2015.

Para marcar o arranque da exposição, está marcada uma conversa no auditório da Casa Pessoa a 4 de Julho (17h), entre o arquitecto Manuel Graça Dias e um especialista pessoano (a definir), com entrada livre.

Em data a anunciar, os modelos apresentados serão expostos na galeria da sede da Ordem dos Arquitectos.


Requisitos

Os modelos tridimensionais devem ter formato A3 (42 x 29,7 cm) e devem cingir-se à sua projecção vertical, não havendo um limite de altura nem condicionantes materiais.

Os modelos tridimensionais devem ser acompanhados de uma ficha de inscrição com: nome, morada, idade, universidade ou número de membro da Ordem, telefone e email.

Os modelos tridimensionais, acompanhados da ficha de inscrição, devem ser entregues em mão ou por correio até às 18h do dia 1 de Julho de 2015 na sede da Ordem dos Arquitectos (Travessa do Carvalho, 23, 1249-003 Lisboa).

Para as propostas enviadas por correio, a data que conta não é a da expedição mas sim a da recepção das mesmas na sede da Ordem dos Arquitectos.



Informações 


www.casafernandopessoa.pt


www.festivalsilencio.com


Chuva oblíqua


I

Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...

O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...

Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...

Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...

8-3-1914

Primeira publicação in Orpheu, nº 2. Lisboa: Abr.-Jun. 1915.

PESSOA, Fernando, Poesia: 1902 – 1917, edição de Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas e Madalena Dine. Lisboa: Assírio & Alvim, 2005, pp. 214-218.


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