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Cidades, arquiteturas e mulheres. Das possibilidades
13.05.2016
Oficina
19 de Maio de 2016, 17h00, Sala 2, CES-Coimbra

A construção das cidades é, historicamente, produção que se organiza entre dois polos de possibilidades de acções: por um lado, as definidoras dos e pelos poderes e, por outro lado, as resultantes das necessidades de diversas pequenas vontades, por norma de paulatina microescala. Com tensões e contradições variáveis, as decisões dos poderes locais ou nacionais e as soluções quase individuais, em formato construído, foram definindo a complexidade que reconhecemos aos espaços urbanos. A arquitectura encontra nestas duas oposições idêntica dinâmica causadora: entre a dos grandes edifícios do poder e os pequenos gestos garante da arquitectura anónima.

No que ao papel das mulheres diz respeito, neste cruzamento com as decisões que desenham e constroem cidade e arquitectura, a entrada no século XXI traz algumas interessantes condições de ruptura. Assim, ressurge, em diversos países, o interesse pela história das arquitectas mas também pelo seu papel tradicionalmente secundarizado na profissão. Tal como se encontra num crescendo o interesse pelas questões de género aplicadas às discussões de situações urbanas ditas bottom-up, tanto na esfera da reflexão como da acção.

Quando Virginia Woolf inicia o seu processo de reflexão plasmada em A Room of One’s Own (1928/1929) ela aponta, como garante mínimo para a condição de se escrever ficção, a necessidade de se ter dinheiro e um quarto próprio. Aponta estes dois universos de autonomia que são, em si mesmos, complexos e múltiplos e que se fixam de modo sintético nas autonomias de espaço e tempo. O que nos interessa neste contexto é o do espaço próprio. A autonomia espacial – quarto, casa, bairro, cidade – deve ser compreendida como garante de concretização autonómica do ser – criativo, intelectual, afectivo e cidadão. Deste modo, interessa-nos questionar de que modo a tomada de poder nas reflexões e acções urbanas, por parte das mulheres em geral – nos seus papéis de arquitectas, urbanistas e cidadãs –, concretiza uma inevitabilidade maior que urge pôr em marcha: a igualdade na cidadania agida no espaço colectivo e privado.


Sugestões de leitura

Escalante, Sara Ortiz; Valdivia, Blanca Gutiérrez (2015), “Planning from below: using feminist participatory methods to increase women's participation in urban planning”, Gender & Development, 23(1), 113-126.

Ahrentzen, Sherry ( ), “The F word in architecture. Feminist analysis in/of/for architecture”, in Thomas A. Dutton; Lian Hurst Mann (orgs.), Reconstructing architecture. Critical discourses and social practices. Minneapolis: University of Minnesota Press, 71-118.

[Para ter acesso aos artigos em discussão deverá enviar um e-mail para gw@ces.uc.pt]


Nota biográfica

Patrícia Santos Pedrosa (Lisboa, 1971): Professora Associada do Departamento de Arquitectura, ULHT. Investigadora do LABART, ULHT. Arquitecta pela Universidade Técnica de Lisboa, Portugal (1997). Mestre em História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa, Portugal (2008). Doutora em Projectos Arquitectónicos pela Universidade Politécnica da Catalunha, Espanha (2010). Doutoranda em Estudos Feministas pela Universidade de Coimbra, CES/UL (2051-…). Principais áreas de investigação: Arquitectura e género, Arquitectura Portuguesa (séc. XX), Arquitectura e Cultura e Teoria e História da Arquitectura Doméstica. Tese de mestrado publicada: Cidade Universitária de Lisboa. Génese de uma difícil territorialização (1911-1950). Lisbon: Colibri, 2009. Diversos trabalhos publicados e presença em congressos, conferências e seminários em Madrid, Barcelona, Veneza, Berlim, Brighton, Pamplona, entre outros.

Mais info: https://ulusofona.academia.edu/patriciasantospedrosa


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