agenda
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Homenagem Gonçalo Byrne / DNA'16
24.06.2016
15 de Julho, 19h30
cerimónia comemorativa
Por convite do homenageado, Patrícia Barbas faz a sua apresentação
Pousada de Viseu
Rua do Hospital, Viseu



O Dia Nacional do Arquitecto é comemorado a 3 de Julho e visa celebrar anualmente a função social, dignidade e o prestígio da profissão de arquitecto em Portugal. O dia assinala a data de publicação do primeiro Estatuto da Ordem dos Arquitectos, a 3 de Julho de 1998, assim como a data de revogação do Decreto n.º 73/73 com a publicação da Lei n.º 31/2009, a 3 de Julho de 2009.

(…) O projecto [Gonçalo Byrne - Geografias Vivas, apresentado na VI Bienal de Arquitectura de São Paulo, em 2005] não foi centrado na discussão do objecto, mas sobretudo nas questões do espaço público, do espaço de relação entre edifícios. Pensamos que a cidade se faz nesses espaços onde é permitido aos cidadãos conviver e participar, interferir na própria vida das cidades. As cidades são precisamente contentores de vida. E para a cidade ser viva tem de ser aberta à transformação; e para se transformar são necessários planos e projectos. (…)

(…) Não bastará reunir bons projectos se não há princípios estratégicos sobre os quais assentem e que garantam a sua concretização. É a estratégia que se prende a uma vontade mais alargada e por sua vez ao próprio conceito de sustentabilidade da ideia. A sustentabilidade pertence ao domínio dos conceitos, podendo reflectir, à partida, um pouco da necessidade do tempo longo.

(…) Na complexidade cultural actual que, no fundo, é tradicionalmente muito enraizada, emerge o velho debate entre a conservação e a transformação das cidades, entre o patrimonialismo como expressão de identidade e a necessidade de mudança, de adaptação, de melhoria, de uma visão de projecto enquanto visão transformadora e daí assistirmos ao choque de uma cultura. (…)

(…) Existe um texto do Rafael Moneo que diz que cada edifício tem uma vida própria, não num sentido orgânico mas exactamente por essa evolução com o tempo. Extrapolando um pouco, também uma cidade tem vida própria porque existe sempre esta relação, seja com a vida daqueles que agem no interior desta, seja também com a diacronia do tempo. Esta noção tem vindo a desaparecer na arquitectura “instantânea” de hoje, aquela que se diz efémera mas que, na realidade, o não é, porque na arquitectura está sempre presente uma vida.

(…) Na durabilidade tem de se prever uma capacidade de adaptação à vida, aceitando também a transformação…

(…) Outro tema interessante é o da forma de relacionamento destes “materiais” [a paisagem, material e matéria de projecto] para com a própria arquitectura, e que pode representar, à semelhança do que sucede com a luz, uma nova concessão à presença do tempo. Isto porque a paisagem introduz uma dimensão temporal que não temos com o material inerte, mesmo contando com o seu envelhecimento.

(…) Nos países anglo-saxónicos continua a existir uma tradição muito forte de interligação entre a arquitectura do edifício, ou mesmo da cidade, e o sentido arquitectónico da paisagem. (…) É de enorme pertinência tentar entender até que ponto é que estas duas realidades se reúnem, sobretudo na situação contemporânea, em que a arquitectura tem, claramente, de sair fora do discurso do objecto para entrar no discurso do espaço de relação e na caracterização das grandes tensões territoriais, entrando por tipologias de espaço híbridas. Na cidade da periferia a relação entre o cheio e o vazio é completamente diferente do centro histórico e, por consequência, o próprio valor relativo da matéria dita natural, que tradicionalmente faz o conceito de paisagem é, cada vez mais, uma matéria fundamental na definição destes vazios que se estão gradualmente humanizando, tornando-se produtos de arquitectura. (…)

Creio que [o verde na cidade] é um tema central na discussão disciplinar da arquitectura, no qual insisto de uma maneira um pouco empírica. A relação espaço-tempo que se tem alterado de tal maneira e tão aceleradamente nos últimos tempos é muito pouco abordada ao nível do ensino.

(…) O sentido da arquitectura como tendo sempre essa dimensão de construir paisagem. Quando se intervém num sítio transforma-se sempre o que lá está; nesse sentido não é tanto o contexto que vai fazer o projecto, mas o projecto que se vai intrometer nesse contexto, medir-se com ele e, portanto, criar uma paisagem transformada.

Gonçalo Byrne

Excertos de “Conversas com Gonçalo Byrne” - projecto vídeo de Maddalena d’Alfonso, desenvolvido para apresentação na VI Bienal Internacional de Arquitectura, Viver a Cidade - transcritas in Byrne, Gonçalo - Geografias Vivas/Living Geographies. Lisboa: Ordem dos Arquitectos/ GB Arquitectos/ Caleidoscópio - Edição e Artes Gráficas, SA, 2006.
Gonçalo Byrne conversou com o Dr Jorge Sampaio (então Presidente da República), os arquitectos Álvaro Siza, Nuno Portas, Vittorio Gregotti e o arquitecto paisagista João Nunes.


Esta cerimónia conta com o patrocínio VMZINC, DLW Flooring, Ageas seguros



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