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José Isaías Cardoso (1922-2017)
14.02.2017
O corpo estará em câmara ardente a partir das 14 horas do dia 14 de Fevereiro na Igreja Matriz da Figueira da Foz. O funeral realiza no dia 15 às 10:30.


A Ordem dos Arquitectos endereça condolências à família do Arquitecto.

Foi com pesar que recebemos, na noite de 13 de Fevereiro, a notícia que chegou do Núcleo de Arquitectos da Região de Coimbra:

"Acabei de receber a notícia do falecimento do Arquitecto José Isaías Cardoso, hoje com 94 de anos de vida. (...)
José Isaias Cardoso foi homenageado pelo Núcleo de Arquitectos da Região de Coimbra em Setembro de 2016 pelo seu percurso exemplar na arquitectura e desenho de uma cidade que se fez Moderna – a Figueira da Foz.
Foi ainda distinguido como Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos 2016 no passado mês de novembro.
Deixa-nos uma obra digna e um importante contributo da arquitectura moderna.
Fátima Lourenço






No quadro das celebrações nacionais do Dia Mundial da Arquitectura 2016, foi outorgado o estatuto de Membro Honorário ao Arquitecto, sob proposta apresentada e fundamentada pelo Conselho Directivo Regional do Norte, que o Conselho Directivo Nacional acolheu favoravelmente e aprovou.


PROPOSTA DO CDRN

Propõe-se que o arquitecto Isaías Cardoso, de 94 anos, inscrito na Ordem dos Arquitectos da SRN com o número de membro 438 de pleno direito, seja nomeado membro honorário da Ordem dos Arquitectos, pelo elevado mérito da sua actividade profissional e pela forma como marcou indelevelmente a imagem urbana de uma cidade que se queria moderna, a Figueira da Foz.

Formou-se em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1954.

José Isaías Oliveira Cardoso nasceu em Alhadas, Figueira da Foz, em 1922, e começou a desenhar casas sentindo uma certa vocação pelo curso de Arquitectura. Incentivado pelos padrinhos de Lisboa, candidatou-se à Escola Superior de Belas-Artes da capital, onde ingressou no início da década de 40. Enfrentou, porém, sérias dificuldades de adaptação àquela Escola, conservadora e permeada pelas tendências políticas e culturais da época, acabando por pedir transferência para a Escola Superior de Belas-Artes do Porto, em 1943.

No Porto, Isaías Cardoso, fez parte da geração de jovens estudantes – Fernando Távora, João Andresen, José Carlos Loureiro ou Octávio Filgueiras – com que atravessou o período de reflexão e contestação ao ensino dogmático da arquitectura. Iria rompendo os laços com o “clássico” e inflamando discursos sobre a arquitectura moderna.

As primeiras obras de Isaías Cardoso seriam fortemente influenciadas pela frescura poética das formas da arquitectura moderna brasileira, lida a partir das imagens publicadas no álbum Brazil Builds de Philip Goodwin, que se havia transformado, rapidamente, em “cartilha obrigatória” na Escola do Porto.

No início da década de 50 o jovem finalista de arquitectura preparava-se para deixar o Porto e regressar à Figueira da Foz, e com ele o movimento moderno chegaria à cidade em obras de linguagem inovadora e arrojo formal que foram acolhidas com entusiasmo. Recebeu, do empresário figueirense Augusto Silva, o convite para projectar, na artéria mais importante da Figueira da Foz, uma piscina de mar. Projectada segundo uma lógica verdadeiramente moderna e multifuncional, criada com absoluta liberdade conceptual e estrutural, esta sua obra – a Piscina-Praia – tornar-se-ia referência urbana incontornável a par com o contíguo Grande Hotel da Figueira. As décadas de 1950/1960 representam, à luz da história contemporânea, um importante contributo para o desenho urbano de uma cidade que se encontrava em plena expansão.

Em finais da década de 60 do século XX volta a projectar para a cidade uma obra notável, de grande complexidade arquitectónica e funcional, co-financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, pelo Ministério das Obras Públicas e pela autarquia figueirense: o edifício integrado do Museu, Biblioteca e Auditório Municipais.

Entre as suas mais diversas edificações, de carácter público e privado, ressalvam-se, no concelho, equipamentos urbanos destinados a servir o Parque de Campismo e espaços públicos, a sede da Junta de Freguesia de Alhadas, um grande número de moradias particulares, a Caixa de Previdência, e blocos habitacionais que hão-de acompanhar o rasgar de novas artérias da cidade que, desde os anos 60 do séc. XX, iniciavam a crescer para novas direcções.
Nos anos 80 do séc. XX assina o projecto hoteleiro “Aparthotel Sotto Mayor”.

Em 2006, a Ordem dos Arquitectos inventaria cerca de uma dezena de projectos seus como obras de referência da arquitectura portuguesa do séc. XX. O IPPAR e a DGEMN classificaram a Piscina-Estalagem e a Esplanada Silva Guimarães como imóveis de interesse público.

Em 2001, Isaías Cardoso doa todo o seu arquivo à sua escola, Faculdade de Arquitectura do Porto.

Foi homenageado como profissional de excelência, de mérito e referência, em 2004, pelo Rotary Club da Figueira da Foz.
 Recebeu em 2008 a Medalha de Ouro da Cidade da Figueira da Foz, como forma de o distinguir e prestar público apreço pelo valor das suas realizações e pelo contributo notável que deu para o desenvolvimento da cidade da Figueira da Foz.

Em Setembro de 2016 o Núcleo dos Arquitecto da Região de Coimbra homenageou o arquitecto pelo reconhecimento do valor da arquitectura e trabalho desenvolvido, pelo seu longo percurso, a sua dedicação, e pela defesa na construção de uma nova linguagem arquitectónica na região.


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