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Júlio Machado Vaz: As nossas cidades têm de ser cada vez mais amigas da saúde pública
03.05.2019



Jornalista: Rui Silva (RS)
Convidado: Júlio Machado Vaz (JMV), médico psiquiatra
Arquitecto: Daniel Fortuna do Couto (DFC), vice-presidente do Conselho Directivo Nacional
Emissão de 26 de Abril 2019


JMV — A minha relação com a arquitectura é diferente, hoje em dia, e gosto de acreditar que é mais rica.

RS, em off — Já foi apenas uma questão de gosto, de bonito ou feio, mas tudo mudou quando o filho Guilherme se formou em arquitectura e desenhou a casa do pai. Júlio Machado Vaz tem hoje um olhar mais atento.

JMV — Aquilo que eu pude ler, e que confirma a minha experiência profissional, é que o nosso estado de espírito melhora com formas arredondadas e, em princípio, não reage tão bem a formas agudas, por exemplo.

RS — E aqui se inclui a arquitectura de saúde.

JMV — O simples facto de uma unidade de saúde, em termos arquitectónicos, ter um contacto mais estreito com a natureza pode diminuir os tempos de internamento, pode diminuir as taxas de variações de humor nas pessoas que estão internadas e isso, como compreende, é importantíssimo.

RS — A arquitectura pode ajudar à saúde de todos.

JMV — Uma coisa que me preocupa muito são as nossas cidades. Ou seja, em termos arquitectónicos, as nossas cidades têm de ser cada vez mais amigas daquilo que é a saúde pública.

RS — Por tudo isto, a pergunta de Júlio Machado Vaz dirigida aos arquitectos.

JMV — Gostava de saber se os nossos arquitectos estão conscientes e a dar passos no sentido de, como já tive oportunidade de ler em artigos no estrangeiro, haver uma colaboração estreita naquilo que é o planeamento de instalações de saúde, entre os doentes, os profissionais e os responsáveis pelo desenho das instalações de saúde.

DFC — O arquitecto tem de responder a coisas muito específicas numa situação muito generalista porque tem de dar resposta às várias partes. Isto é, no seu projecto global, que é o da arquitectura, tem de responder a elevadas exigências técnicas com a incorporação dos projectos de todas as engenharias mas tem ainda de responder às exigências técnicas da própria arquitectura, emanadas por instituições que se debruçam e que reflectem sobre elas, o que será melhor para a saúde dos doentes, não esquecendo que o público-alvo são os doentes e não os profissionais. Claro que tem de fazer tudo isto considerando a opinião dos profissionais, que são quem vai intervir mas a resposta é afirmativa em relação à pergunta do Professor Júlio Machado Vaz. Essa articulação existe e essa preocupação existe permanentemente por parte dos arquitectos.

transcrição livre da emissão





O programa Exercício de Arquitectura está de regresso à antena da TSF.

Nesta 2.ª edição, a Ordem dos Arquitectos convida arquitectos portugueses a dar resposta às perguntas e dúvidas colocadas por várias personalidades.

Exercício de Arquitectura, todas as sextas-feiras antes das 8h da manhã e o debate mensal na última segunda-feira do mês, depois das 3h da tarde.

Um programa TSF e Ordem dos Arquitectos, com o patrocínio de Gyptec e Volcalis, duas marcas do Grupo Preceram.

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