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José-Augusto França © FCG
José-Augusto França (1922-2021)
20.09.2021
A Ordem dos Arquitectos endereça os seus sentimentos à família e amigos de José-Augusto França, desaparecido no dia 18 de Setembro último.




Ana Tostões, então vice-presidente do Conselho Diretivo Nacional (mandato 2008-2010), propôs o seu nome para a atribuição do título de “Sócio Honorário” da Ordem dos Arquitectos, em 2008, “Por ter contribuído determinantemente para a promoção da arquitectura portuguesa” (…).

O texto “curricular” era muito curto, “investigador e historiador da arte, estudou e divulgou internacionalmente a arquitectura portuguesa moderna e contemporânea a partir dos anos 60”.

O suficiente para definir o homem de Cultura, historiador, sociólogo e crítico de arte, Catedrático da Universidade Nova de Lisboa que, entre uma extensa bibliografia, se aventurou a “filmar” «Lisboa – História Física e Moral» (Livros Horizonte, 2008).

Esta obra foi apresentada na sede nacional da Ordem dos Arquitectos, a 19 de março de 2009, numa “Conversa à volta de Lisboa”, animada pelo Professor José-Augusto França e os arquitetos Nuno Teotónio Pereira e Ana Tostões.

Dessa conversa, publicamos um relato no Boletim Arquitectos n.º 196, de Maio 2009 (página 4). A nota pode ser vista no pdf anexo ou ser lida de seguida, dando conta da abrangência e coerência na sua leitura da cidade, “num plano geral, atento ao urbanismo e à arquitectura (…).”, que Nuno Teotónio Pereira, de forma sempre cordata, emendou num ou noutro “plano mais fechado”.

“A conversa foi inaugurada pela arquitecta Ana Tostões, que referiu a oportunidade do lançamento de «Lisboa, História física e moral», no final de 2008, da autoria do Professor Doutor José-Augusto França, Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos desde o último Dia Mundial da Arquitectura. Na apresentação do «lisboeta»* José-Augusto França (1922), Ana Tostões sublinhou a sua importância na cultura portuguesa, com uma actividade multifacetada de historiador e sociólogo da arte, professor, ensaísta, crítico de artes plásticas e cinema, escritor ligado a vários movimentos artísticos e literários e autor de uma vastíssima e importante obra.
«Foi ele quem, pioneiramente, chamou a atenção, com responsabilidade científica e dimensão internacional, para a excelência e inovação do Plano de Reconstrução da Baixa de Pombal. De facto, a historiografia portuguesa só nos anos 60 do século XX atribuiu a devida importância ao fenómeno cultural “Baixa Pombalina” com o trabalho Une Ville des Lumières: La Lisbonne de Pombal (França, 1963), texto fundador da história da arte em Portugal que situa com segurança a valia urbanística do Plano de 1758. Em 1959, com bolsa do Governo francês, instala-se em Paris onde prepara, com o historiador e crítico de Arte Pierre Francastel (1900 -1970), o doutoramento em História que conclui em 1962 com uma tese sobre La Lisbonne de Pombal (publicada em francês, italiano e português). No ano seguinte, obtém o Diploma de Sociologia da Arte com a dissertação L’Art et la Société Portugaise au XXe Siècle e, em 1969, o título de Doutor de Estado em Letras e Ciências Humanas na Sorbonne (com Le Romantisme au Portugal, tese publicada em francês e português). Com estes trabalhos-charneira da historiografia portuguesa, desenvolve uma obra de pesquisa original e de síntese, abordando temas nunca até então tratados e apresentando outros de maneira metodologicamente nova.»
A sua recente história da vida de Lisboa é uma obra «vivíssima, lúdica, estimulante» e convida a vê-la como um filme, com a sua alternância de «“grandes planos”, momentos históricos precisos, e de “planos de conjunto”, sempre apoiados num discurso erudito mas acessível, elegante e bem-humorado mas rigoroso». A sinopse da obra, disponível na página Internet do editor, confirma a ideia do filme, da conjugação de planos que permite uma compreensão total, «unifica as visões fragmentárias sobre Lisboa a partir do comportamento, vaidades e devoções dos lisboetas. (…) O discurso histórico é conduzido num plano geral, atento ao urbanismo e à arquitectura, com o inventário necessário, e às práticas políticas, sociais e culturais. As partes “física” e “moral” da cidade, no seu todo.»
Na abertura do livro, o autor convida os leitores a uma reflexão, «deve sempre pôr-se em questão a própria cidade – como o é, para que o é. E se o é. Antes de contar a história de Lisboa, fica bem perguntá-lo». Introduzindo a dúvida sobre a consistência da personagem principal do filme, a cidade de Lisboa, «[onde] os lisboetas foram e vão vivendo a sua mansa continuidade, com benefício do clima – e do Tejo, da sua necessidade de transporte e de recuperada ecologia, se o for, numa sociedade de consumo, mais físico e financeiro que moral», o autor invoca as ruas, as casas e as gentes para lhe trazerem espessura, solidez, firmeza, substância e uma coerência possível.
«Intitula-se “História Física e Moral” esta História de Lisboa – e assim crê o autor que devem ser as histórias de todas as cidades, feitas de ruas e casas, tanto quanto de gentes que as percorrem e habitam. As pedras mortas, que se acumulam por protecção, e as vivas, que lhes dão sentido e necessidade, devem ser correlativas, para que a cidade exista em sua coerência. No tempo que a atravessa, os homens afeiçoam-se em engenhos e intrigas, procuram a felicidade possível, comportam-se, em suma, como seres humanos, bons e maus, ou nem isso, em seus costumes que os séculos mudam em morais e modas. E constroem por comodidade e lucro, por vaidade também, e devoção, quando foi caso disso; por necessidade de criação, nos mais nobres casos».
Na sequência da exposição do autor sobre a estrutura do livro/filme, pontuada por pequenos episódios em “grande plano”, o arquitecto Nuno Teotónio Pereira partilhou o seu “espanto” com os numerosos presentes na conversa perante as «850 páginas de informação rigorosa e fascinante, que nos levam do Paleolítico à Expo’98, unindo o urbanismo e a economia à política e à cultura», e indicou, porque assim lhe tinha sido pedido, dois ou três discretos erros de casting.”

(*) nascido em Tomar


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