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NEB, uma oportunidade de recentrar a Arquitetura
13.01.2022
No final do primeiro semestre de 2021, no quadro da Presidência de Portugal do Conselho da União Europeia, a Ordem dos Arquitectos (OA) realizou uma Conferência Europeia de Políticas de Arquitetura (CEPA ou ECAP, no seu acrónimo em inglês).

O fórum de discussão realizou-se nos dias 8 e 9 de junho, em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian.

A CEPA 2021 refletiu um compromisso da OA de dar resposta ao apelo da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e assumiu a missão dos arquitetos enquanto agentes de transformação, no sentido da construção do New European Bauhaus (NEB), oferecendo um diálogo sobre os desafios atuais para um futuro pós-pandémico, cruzando arquitetura, arte, cidade e política: Da Bauhaus à Nova Casa – Paisagens pós-Covid.

Estruturada em depoimentos, keynotes e quatro mesas-redondas:
A| O NEB visto de fora da Europa
B| Transformações da cidade no pós-pandemia
C| A arquitetura, a arte e a sustentabilidade
D| Políticas de Arquitetura e o NEB
a CEPA 2021 resultou num debate contemporâneo sobre novas formas de habitar, sob a premissa da sustentabilidade, para o qual foram convocadas diferentes gerações de arquitetos, artistas, agentes de cultura, académicos de várias disciplinas e gestores.

O NEB é um projeto, em construção, de natureza interdisciplinar que abre caminhos e perspetivas de novos paradigmas; enquanto arquitetos, queremos promover a sustentabilidade garantindo a conceção de uma arquitetura de qualidade e a proteção do nosso património cultural.

A CEPA 2021 foi uma oportunidade para encontrar caminho para reinventar a arquitetura, num alargamento do enquadramento da sua prática, e a imagem que queremos transmitir dos arquitetos, em interligação e em diálogo com outras disciplinas e outras áreas, reunir testemunhos de excelência, diversidade e criatividade e perspetivar uma cidade mais inclusiva.

NEB, um projeto de esperança
Os paradigmas que se foram construindo no final do século passado estão a ser questionados agora com esta espécie de wishful thinking, uma espécie de “renascimento”, de uma outra visão do mundo. Para esta retoma da Nova Casa, a Bauhaus é uma referência.

Não é possível falar de arquitetura sem falar de políticas de arquitetura
Referimo-nos à palavra inglesa policies, que não tem tradução exata em português e se encontra entre política e estratégias ou, melhor, “estratégias para”.
A programação das quatro mesas-redondas foi consentânea com esta ideia; partindo de uma abertura máxima, o alargamento desta iniciativa claramente europeia ao mundo extracomunitário, concluiu nas políticas ou policies.

Quando falamos da qualidade do território, da qualidade do construído, da importância da qualidade da habitação para todos, falamos de políticas e estratégias para a casa nova.

A criação, e o desenvolvimento, da cidade é provavelmente a mais grandiosa obra da humanidade.

Os arquitetos não são donos das cidades. Os arquitetos na cidade são agentes da sua transformação, agentes da reabilitação, do reuso, do reuso adaptativo, do património, agentes da cidade viva, que coabita com a cidade histórica, a cidade da memória, e depende da vida dos edifícios e da vida das próprias cidades.

Na cidade contemporânea, os ciclos de obsolescência (das indústrias, dos portos, …) foram acelerados de tal maneira que, de repente, há grandes fragmentos da cidade que entram claramente em declínio. Se nada for feito para os reabilitar, ao fim de 50 anos tornam-se num campo arqueológico, sem vida. Esta relação entre a memória, a cultura e a vida é fundamental e os arquitetos são os agentes da cidade viva, da paisagem viva, do território vivo, com os seus colegas engenheiros, os seus colegas paisagistas, os seus colegas historiadores, os seus colegas arqueólogos, e com tantos outros profissionais, com os seus utentes.

A cidade, de facto, é de todos e não é de ninguém. E os novos desafios da cidade são de uma complexidade absolutamente extraordinária. A relação dinâmica proposta por Ursula Von der Leyen, que nos surpreendeu no melhor sentido, vem centrar a cultura, as artes, por inerência as humanidades, uma série de formas de conhecimento que estavam muito marginalizadas na construção da cidade.

A verdade é que a arquitetura tem estado a ser marginalizada, tal como o tem estado a ser a cultura, a arte, sobretudo as artes performativas; o binómio cultura e civilização pode traduzir-se entre conhecimento, valores, património, história, presente e também futuro, porque a cultura só faz sentido se for continuamente “feita”, como a identidade, como a memória, que são dinâmicas. Para a identidade, o património é importantíssimo, mas se não tem uma vida, nem que seja simbólica, acaba morto. Este é o grande desafio.

E uma questão é muito importante em situação pós-pandémica: chamar a cultura para o centro e repor novamente a discussão entre natureza e artifício, para não prosseguirmos com a destruição do Planeta. Não podemos contar com um Planeta B.

Arquitetos e Política
A Lei da Qualidade e da Arquitectura está a ser promulgada em Espanha, configurando a importância da qualidade da arquitetura numa lei. Da qualidade da arquitetura para o Planeta, para o território, para a paisagem, para a cidade, para o espaço público, para o edificado e para as nossas casas. O que interessa é que a arquitetura traga qualidade de vida para quem está, quem habita. A cidade são as pessoas e chega-se sempre à conclusão que o fazer acontecer a nova casa é um discurso de todos. E um discurso que interessa aos arquitetos que, em Portugal, se deixaram afastar excessiva e perigosamente da política da pólis.

Temos de estar muito atentos a esta questão e o Governo, a governança, pode contar com os arquitetos. O assunto está entre as nossas mãos e na nossa capacidade de estabelecer diálogo com os nossos pares das outras ordens, das outras profissões, e com os decisores da cidade. São, primeiro, os eleitos e, depois, os privados.

Existe uma função reguladora do Estado, das autarquias, das administrações. Mas existe também um papel importante dos promotores e, finalmente, porque a cidade é dos cidadãos, não há NEB se ficar alguém para trás. Não há sustentabilidade sem a dimensão social.

O tema da participação é atual. Não vemos futuro para a nova casa europeia sem a discussão da participação; é um caminho que temos de aprender. Os arquitetos têm uma oportunidade neste recentrar do discurso porque no mundo da sustentabilidade e no mundo da tecnologia há muito mundo a montante e a jusante das altas tecnologias.

Podemos considerar três níveis da arquitetura, com uma base mais larga – as decisões fundamentais da arquitetura e do projeto sobre a forma e sobre o espaço, mais compacto, mais disperso, mais aberto, menos aberto, mais transparente, menos transparente. Um segundo nível, que tem a ver com as energias passivas, as inércias, os isolamentos. Depois há o terceiro nível, o das altas tecnologias. Transversalmente, há o universo da gestão informática, da digitalização, das novas ferramentas para o projeto. Mas há mundo a montante, específico do campo da arquitetura, o das decisões fundamentais, da integração das altas tecnologias, e depois, a jusante, as pessoas, a cultura, o património. Quem vai viver aqui? Como é que vai viver aqui? Quem gere a qualidade espacial? A dimensão temporal do habitar é algo que não é referido pelas altas tecnologias. A luz natural, o ciclo da noite, dia, inverno, verão, etc., introduz o tempo na vivência da arquitetura. Há mundo da arquitetura a montante e a jusante das altas tecnologias e das tecnologias que são parte integrante também da decisão do mundo da arquitetura.

O NEB pede um recentrar da cultura, para recentrar a civilização, recentrar as humanidades e recentrar a Arquitetura.

CEPA 2021. Balanço sumário. Junho 2021



Conhecimento e resolução de dicotomias

Para celebrar e difundir o espírito NEB, a OA realizou, em dezembro 2021, uma outra iniciativa que promoveu a apresentação de trabalhos selecionados e distinguidos pelos prémios New European Bauhaus e New European Bauhaus–Rising Stars e a exposição de ideias e projetos de arquitetos que responderam a uma open call.

Nesta convocatória, procuraram-se projetos interdisplinares que contassem com a colaboração ou coordenação de arquitetos e/ou estudantes de arquitetura, que articulassem, de maneira inovadora, a sustentabilidade, a estética e a inclusividade, que promovessem a qualidade de vida e privilegiassem a simplicidade, a funcionalidade e a circularidade dos materiais.

A OA assumiu, de novo, a sua missão de acompanhar, estimular, divulgar, dar espaço a colegas que estabelecem diálogos entre as artes, as tecnologias, as criatividades, as sustentabilidades. A arquitetura pode desenvolver-se a muitos níveis e a OA está atenta; o NEB permitiu alargar o enquadramento da atividade, em articulação com outras disciplinas e áreas.

A Bauhaus tinha o lema form follows function. A arquitetura nunca foi unicamente uma questão de forma; o que procuramos são os modos como queremos viver nas nossas cidades, os modos como queremos viver em sociedade.

A Educação, a “escola” como foi a Bauhaus – a troca de conhecimento – é a forma mais próxima e mais eficaz de introduzir uma mudança estruturante e sistémica. É este o lugar mais pertinente para cultivar a mudança, entre as crianças e os jovens arquitetos, acolhendo as suas inquietações, e envolvendo toda a comunidade.

De uma forma clara, descomplexada, sem problemas morais ou metodológicos, os jovens arquitetos que apresentaram as suas propostas utilizaram todos os instrumentos ao seu dispor, incluindo os estéticos, e revelaram um verdadeiro avanço ao resolver uma série de dicotomias clássicas na convenção do que é ser arquiteto:

idealismo vs realismo / alta tecnologia vs baixa tecnologia / social abstrato vs social concreto / estética vs ética / paisagismo vs arquitetura / escalas de projeto, do território ao pormenor construtivo

porque no seu exercício profissional conseguem ser interpretes das necessidades sociais e societais e articular o back to basics com a sofisticação da prototipagem por computador.

Integram uma nova cultura, sustentável, comprometida com o Pacto Ecológico Europeu (Green Deal), inclusiva e bela.


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